Episódio 3
Outra postura que resultou dessa raiz cultural influente?
A produção de trabalhos acadêmicos – dissertações, teses, artigos – em linguagem compatível com o padrão exigido no universo universitário, mas facilmente adaptável para a veiculação para o grande público – especializado ou não – em formato de livro. O rigor científico pode caminhar em sintonia com a boa linguagem narrativa.
Daí, talvez, um dos fatores de explicação da obra Páginas Ampliadas: o livro-reportagem como extensão do jornalismo e da literatura – Jornalismo literário, derivada da tese de doutorado de Ed, ter se tornado um livro seminal sobre o tema. Daí também sua dissertação de mestrado ter se transformado num livro didático, originalmente publicado no México – por um tempo adotado em cursos de graduação de pelo menos uma universidade espanhola – e mais recentemente no Brasil: Jornalismo para um novo tempo: o legado da Teoria Geral dos Sistemas.
Desse ninho sistêmico na Escola de Comunicações e Artes (ECA) vai despontando uma nova geração de amantes do Jornalismo Literário que encontram agora uma nova possibilidade de construção de suas carreiras: as de docentes e pesquisadores focados na sua paixão acadêmica. Uma das pessoas que vai se destacar, em sequência ajudando a constituir o Jornalismo Literário como um novo campo de estudos avançados acadêmicos, é a então orientanda de Ed e agora notável docente e pesquisadora, professora da Uniso – Universidade de Sorocaba —, Monica Martinez, que seu mestre no passado e amigo de sempre considera a pessoa mais profícua em produção de conhecimento sobre Jornalismo Literário em atividade na universidade brasileira. Seguindo os passos de Ed e respondendo à sua própria inclinação, Monica aborda o Jornalismo Literário sob uma perspectiva transdisciplinar.
Essa abertura de estrada por Ed, inserindo contribuições de novos paradigmas provenientes de distintos campos do conhecimento, resultou no desenvolvimento da sua proposta conceitual do Jornalismo Literário Avançado. Integrou à base de recursos narrativos do Jornalismo Literário e ao seu propósito de produzir conhecimento de profundidade e compreensão através do storytelling típico da atividade, modelos científicos de vanguarda que, no seu entendimento, ampliam e atualizam a visão leitora da realidade por parte dos escritores / jornalistas / repórteres / autores. Indo além, melhor servem ao desejo de que o Jornalismo Literário produza, preferencialmente, narrativas de processos – e pessoas visionárias – que estão contribuindo para alavancar transformações que elevam o estado de compreensão dos indivíduos e da sociedade sobre ela própria.
Nessa direção, Ed encontrou um apoio paralelo, quando docente na ECA, no trabalho pioneiro da professora Cremilda Medina, ao estabelecer o Núcleo de Epistemologia do Jornalismo, como um think tank de vanguarda sobre a atividade. Participar em alguma medida desse grupo de pesquisa foi um processo inspirador para seus próprios voos.
Segue no próximo episódio.
________________
(As opiniões expressas nos artigos publicados no Jornal da USP são de inteira responsabilidade de seus autores e não refletem opiniões do veículo nem posições institucionais da Universidade de São Paulo. Acesse aqui nossos parâmetros editoriais para artigos de opinião.)




