domingo, março 15, 2026
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Minoxidil oral é seguro, mas exige acompanhamento médico e demanda mais estudos – Jornal da USP


O perfil de segurança do medicamento é robusto e são poucos os casos graves citados na literatura. Contudo, ele não é isento de riscos: a partir de uma extensa revisão de literatura, os dermatologistas concluíram que o efeito adverso mais perigoso é a efusão pericárdica (acúmulo de líquido no coração), que não está necessariamente associado à dosagem.

Dentre os efeitos mais frequentes na prática clínica está a hipertricose (aumento excessivo de pelos corporais), inclusive no rosto. “Para homens não é um grande problema, mas, para mulheres, pode ser; por isso vamos ajustando a dose conforme esse resultado”, comenta a dermatologista. No início do tratamento é comum a ocorrência de taquicardia reflexa (aumento dos batimentos por causa da vasodilatação) e tontura, sintomas que costumam melhorar em até duas semanas; repercussões mais raras incluem edemas na face, mãos e pés. 

Em relação às contraindicações, os profissionais ressaltam que o medicamento não deve ser utilizado por pessoas com histórico de derrame pericárdico, pericardite, insuficiência cardíaca congestiva, entre outros. Ele também não é recomendado para gestantes e lactantes.

Pacientes com alterações menores — como histórico de taquicardia, arritmias, hipotensão, comprometimento da função renal ou em diálise — devem ser referenciados a um especialista antes de considerar o uso. Isabella explica que, para pacientes sem contraindicações relevantes, não há necessidade de exames médicos complexos. 

“Sobre o monitoramento dos pacientes, chegamos ao consenso de que devem ser avaliados a resposta clínica e o perfil de efeitos colaterais antes de subir a dose”, afirma. No entanto, não houve consenso sobre a frequência dessa mudança: alguns especialistas defendem ajustes mensais, outros trimestrais.

Mas por que o uso oral é indicado em vez do uso tópico? Segundo os pesquisadores, o minoxidil oral é uma opção para pacientes que apresentam hipersensibilidade ou alergias no couro cabeludo. Além disso, a versão tópica depende de uma aplicação mais frequente, e o resultado pode ser menos eficaz. “Ela não é agradável cosmeticamente, por isso muitas vezes a aderência ao tratamento é ruim”, acrescenta Isabella.

No Brasil, ainda não há versões industrializadas do minoxidil oral em comprimidos de 5mg, como acontece em outros países. Portanto, a prescrição requer manipulação da dose exata. “Existe um alerta muito importante da vigilância dos órgãos reguladores do Brasil quanto à procedência dessas medicações: que sejam feitas em farmácias credenciadas, autorizadas e sempre com acompanhamento de um médico”, finaliza a dermatologista.

O artigo Low-Dose Oral Minoxidil Initiation for Patients With Hair Loss: An International Modified Delphi Consensus Statement está disponível on-line e pode ser lido aqui.

Mais informações: isabelladoche@gmail.com, com Isabella Doche

* Estagiária sob orientação de Fabiana Mariz

** Estagiária sob orientação de Moisés Dorado



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