Episódio 4
Outra iniciativa, nascida da mesma usina criativa de Jornalismo Literário na Escola de Comunicações e Artes?
Um dia, Ed foi procurado por Celso Falaschi, um colega jornalista – e professor da PUC de Campinas -, orientador de um TCC (Trabalho de Conclusão de Curso) de graduação do seu aluno Rodrigo Stucchi, que desejava criar o primeiro site na internet dedicado ao Jornalismo Literário. Nasceu daí o TextoVivo. Em seguida, movido por seu espírito empreendedor, Celso convidou a Ed – pelo nome de referência que já representava – a se juntar a ele e Rodrigo, convidando também a Sérgio Vilas Boas – então orientando do pesquisador da USP – a cofundarem a Academia Brasileira de Jornalismo Literário – ABJL.
Essa ONG, em parceria com distintas instituições de ensino credenciadas, criaria e conduziria por 12 anos consecutivos o primeiro – e único, até o presente – curso de pós-graduação Lato Sensu em Jornalismo Literário do país. A ABJL também promoveu uma primeira – e única – conferência internacional de Jornalismo Literário no país, com a presença de distintos profissionais brasileiros – destaque para Eliane Brum –, mais convidados do exterior, como Mark Kramer, professor-jornalista literário, diretor-fundador do programa de jornalismo narrativo da Fundação Nieman para o Jornalismo, na Universidade de Harvard.
No embalo da ABJL, Ed abriu uma trilha de entrada de pesquisadores brasileiros no cenário internacional em 2009, aproximando-se do mais importante núcleo global transuniversitário especializado no tema, a IAJLS – International Association for Literary Journalism Studies –, criada por docentes-pesquisadores americanos em 2006, hoje com sede nominal na Universidade de British Columbia, no Canadá. Quem preside em 2025 o comitê da entidade responsável pela sua expansão global? Monica Martinez.
Flash forward 2025.
A contemporânea multicrise disruptiva de mudanças que afetam toda a civilização trouxe como um de seus efeitos sobre a grande imprensa a atrofia da produção de matérias de fôlego. Enquanto a mídia jornalística, na sua maior parte, perde esse espaço nobre, outros meios de comunicação estão avançando, com a produção exemplar de narrativas de profundidade calcadas num olhar cristalino sobre a complexidade das vidas humanas. Basta se observar podcasts de qualidade que estão pintando aqui e ali, produções de serviços de streaming – como os documentários de esportes da Netflix, da Amazon Prime Video, da ESPN e outros –, e essa cinebiografia brasileira de excelente nível, que tem no seu DNA traços do puro espírito narrativo de um ótimo perfil – gênero nascido no Jornalismo Literário –, a de Ney Matogrosso, Homem com H.
Está na hora do próprio jornalismo olhar para suas raízes, resgatando seu próprio filho não mais bastardo, o Jornalismo Literário, herdeiro precioso que pode lhe trazer de volta para o desempenho da função nobre que esqueceu, dando um tiro no pé que o empobreceu frente aos outros processos de comunicação de massa que estão ocupando a vanguarda que poderia ser sua. Concorda com esse autor?
E Ed, na sua trajetória pessoal, atual, após a aposentadoria da USP?
Continua ativo, como escritor, levando o que alimentou na teoria à sua prática individual. Produzindo livros – especialmente biográficos, de histórias empresariais e do que denomina narrativas retrato – em estilo de Jornalismo Literário Avançado, focalizando pessoas e casos transformadores que efetivamente estão contribuindo para o mundo se tornar – um pouquinho que seja – melhor.
É impossível você não perceber nessas obras, como nas mais recentes – Edison Tamascia: uma saga transformadora de prosperidade e gente, Viagem ao coração da dor: história de vida(s) e o yoga que a(s) transforma –, ressonâncias dessa ebulição inovadora que do coração da USP atemporal reverbera como gotas inspiradoras pelas águas dinâmicas da vida pulsante em distintas frentes da sociedade.
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