Alberto do Amaral diz que as tarifas impostas representam menos de 2% do produto interno bruto brasileiro e vão afetar apenas alguns setores
Na coluna desta semana, o professor Alberto do Amaral comenta as ameaças do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de taxar o Brasil e os países que se alinharem com o Brics. Para isso, traz um histórico que mostra a importância do Brics no panorama econômico internacional como uma nova forma de impulsionar ideias de mudança da governança internacional. “O Brics foi constituído no início dos anos 2000, era composto por Brasil, Rússia, China e Índia. Em 2011, ingressou no Brics a África do Sul, passou a ser Brics e eram economias que apresentavam um grande ritmo muito acelerado de desenvolvimento na época. E o Brics postulava uma reforma da governança internacional, a reforma do FMI, da Organização das Nações Unidas, que passou a ser um objetivo perseguido pelo Brics e posteriormente pretendia que os países em desenvolvimento pudessem ter uma voz muito mais acentuada no Fundo Monetário Internacional e no Banco Mundial.” A partir de 2024, outras nações se juntaram ao grupo: Irã, Arábia Saudita, Emirados Árabes, Etiópia, Egito e Indonésia.
Amaral lembra que em 6 e 7 de julho, o Brics se reuniu no Rio de Janeiro e criticou acerbamente a política tarifária de Trump, criticou o bombardeio de Israel e dos Estados Unidos ao Irã, defendendo uma reforma das instituições internacionais como o FMI, além de pregar que a diplomacia fosse o caminho para a solução das controvérsias hoje existentes. “O presidente Trump procura, portanto, punir o Brics e punir qualquer tentativa de utilização de uma moeda para a comercialização entre os países do Brics. O Brics pretende, já fizeram um estudo sobre isso, utilizar uma nova moeda de pagamento em substituição ao dólar e o presidente Trump, ainda candidato no ano passado, ameaçou o Brics de uma tarifa.”
Sobre a tarifa de 50% imposta ao Brasil, o professor diz que elas não têm precedentes nas relações de 200 anos entre os dois países. “Ela é uma tarifa anunciada não por uma autoridade do governo americano de escalão inferior, mas é utilizada pelo presidente da República. E isso tem uma grande importância. É uma tarifa dirigida ao Brasil, dirigida especialmente em carta ao presidente da República brasileira, presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que é também algo inédito. E, finalmente, é uma tarifa motivada por razões inteiramente políticas que dizem respeito ao que Trump considera uma perseguição ao ex-presidente Jair Bolsonaro, de um lado, e de outro lado o desrespeito à liberdade de expressão”, avalia o colunista.
Isto equivale a uma ingerência nos assuntos brasileiros, a uma intervenção no plano da soberania nacional, destaca o professor, que acredita que as consequências para o Brasil são pequenas, “porque as tarifas impostas pelo presidente Trump representam menos de 2% do produto interno bruto brasileiro e não terão uma grande repercussão, apesar de que alguns setores serão basicamente afetados”.
Um Olhar sobre o Mundo
A coluna Um Olhar sobre o Mundo, com o professor Alberto Amaral, vai ao ar quinzenalmente, terça-feira às 8h, na Rádio USP (São Paulo 93,7; Ribeirão Preto 107,9 ) e também no Youtube, com produção da Rádio USP, Jornal da USP e TV USP.
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