O projeto iniciou seus trabalhos focando no vírus nipah (Nipah RIMTSP), patógeno de origem animal com taxa de mortalidade de 70%. Endêmico no Sudeste Asiático, o nipah causa encefalite grave e preocupa pela possibilidade de dispersão global. Uma colaboração com pesquisadores da Malásia permitiu ao time brasileiro analisar amostras e padronizar técnicas diagnósticas, resultado já publicado em revista científica de acesso aberto.
O professor explicou que a transmissão do vírus nipah para humanos ocorre através de uma cadeia peculiar envolvendo morcegos frutíferos e práticas culturais. Nas regiões endêmicas do Sudeste Asiático existe um costume tradicional de coletar seiva de palmeiras durante a noite, utilizando jarros de cerâmica colocados no topo das árvores. Os morcegos, ao lamberem esses recipientes e o tronco das palmeiras durante a noite, contaminam a seiva com o vírus. Quando os coletores retiram o líquido pela manhã e o processam para vender como bebida tradicional, ocorre a transmissão para os trabalhadores que manipulam o produto e posteriormente para os consumidores. “Esses surtos estão associados com um problema que é, claro, de saúde única. Assim, é uma zoonose, não? Ocorre o chamado spillover, do animal para o ser humano, e ela tem uma gravidade muito alta”, conta Duarte Neto sobre o vírus.



