Na coluna desta semana, o professor Martin Grossmann fala sobre a definição de cultura a partir de uma questão: “Se estamos imersos na cultura, como criar antiambiências que permitam uma reflexão metacrítica e metalinguística dessa nossa existência, individual como coletiva? Cultura é esse ambiente que não só nos abriga como nos identifica, representa e que dá sentido a essa nossa vivência neste planeta. Importante ressaltar que cultura não é só algo que nos é dado, a priori, que nos regula, como também resultante desse nosso estar no mundo, ou seja, somos partícipes e agentes na configuração desse contexto maleável, espaço-temporal, em permanente mutação no qual estamos imersos”.
Grossmann ressalta que não está necessariamente definindo cultura, mas compartilhando alguns princípios que norteiam essa convivência com a cultura, que avalia como fundamental na sua condição de professor universitário desde 1985, assim como na condição de colunista de cultura. “Acabamos de finalizar mais um semestre e assim chega ao fim mais uma edição da disciplina de graduação Estados, Formas e Processos da Cultura na Atualidade, que justamente interage com essa condição e com os princípios descritos. Entendo que tanto esta coluna como a disciplina seriam esses antiambientes imprescindíveis para analisarmos criticamente essa a nossa existência cultural. Sim, antiambientes, como também o são as reflexões críticas na forma de textos, de atuações artísticas, de manifestações coletivas, entre outros.”
O professor explica que a disciplina fornece aos alunos “uma oportunidade interdisciplinar de reflexão sobre a condição atual da cultura, apresentando noções básicas das várias teorias, conhecimentos, epistemologias e saberes que modelam esse debate na atualidade, debatendo as aproximações e diferenças entre as noções e visões de mundo fornecidas seja pelas Ciências Sociais, pela Filosofia, Humanidades, as Artes, como as provenientes da História da Ciência e das Ideias”. E avalia que ao acompanhar a produção e o engajamento dos alunos, faz sentido explorar a cultura como complexidade. “Ao não buscar uma definição de cultura, promovemos uma ampla reflexão enfatizando sua diversidade, pluralidade, descentramento e, principalmente, sua dinâmica que entendo ser caótica”, finaliza.




