Para Pec Hernández, os resultados apontaram para uma estratégia ecologicamente correta, que pode reduzir a dependência do uso de inseticidas químicos ao melhorar as defesas naturais da planta, tornando o controle biológico mais eficiente. Ao mesmo tempo, ela potencializaria a atratividade de inimigos naturais, como a mosca Cotesia flavipes, para controlar a broca-da-cana, contribuindo para a sustentabilidade da cultura da cana-de-açúcar ao oferecer uma abordagem de manejo de pragas de baixo impacto ambiental.
“Plantas inoculadas com o fungo apresentaram alterações significativas nos níveis de compostos secundários responsáveis pela defesa da planta contra pragas, como os ácidos jasmônico e salicílico, além de mudanças nas emissões de compostos voláteis, tanto durante o dia quanto à noite”, explica o pesquisador. “Nas plantas ainda não infestadas pela broca-da-cana, observamos uma redução na colocação de ovos pela praga.”
Nas espécies infestadas houve maior atração da vespa Cotesia flavipes, indicando que o inimigo natural pode estar atuando de forma mais eficaz no controle da praga. Por outro lado, a tesourinha não apresentou aumento de atração, mesmo com as alterações nos compostos voláteis emitidos à noite.
A pesquisa é descrita na tese de doutorado Metarhizium robertsii altera os voláteis da cana-de-açúcar e suas interações com insetos, defendida por Pec Hernández em janeiro deste ano. O trabalho foi conduzido no Laboratório de Ecologia Química e Comportamento de Insetos da Esalq, sob coordenação do professor José Maurício Simões Bento, com o envolvimento do doutorando Marvin Mateo Pec Hernández e dos pesquisadores Paolo Salazar Mendoza, Diego Martins Magalhães e Kamila E. Xavier de Azevedo.
* Texto: Alicia Nascimento Aguiar, da Assessoria de Comunicação da Esalq, adaptado por Júlio Bernardes
**Estagiária sob orientação de Moisés Dorado



