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Relatório propõe caminhos para colaboração na educação infantil brasileira – Jornal da USP


Documento produzido pela Cátedra Sérgio Henrique Ferreira e Fundação Bracell destaca benefícios da articulação de diferentes esferas de governo para a qualidade da educação infantil

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A imagem mostra um evento em um auditório com várias pessoas assistindo a uma apresentação. Dois homens estão em pé na frente da sala. Há uma tela atrás deles exibindo um slide de apresentação com uma imagem e texto. No fundo, há uma parede branca com um painel que tem o logotipo e o nome do "Instituto de Estudos Avançados" (IEA) da Universidade de São Paulo (USP). Algumas cadeiras vermelhas vazias estão posicionadas à frente. O público é composto por homens e mulheres, sentados.
O titular da Cátedra Sérgio Henrique Ferreira, Mozart Neves Ramos, e o diretor-presidente da Fundação Bracell, Eduardo Queiróz, durante o encontro sobre o regime de colaboração na educação infantil em São Paulo, no início de 2025 – Foto: Marília Rocha – Assessoria Cátedra

Um relatório lançado nesta quarta-feira, 16 de julho, analisa como o regime de colaboração pode ser uma estratégia fundamental para garantir qualidade e equidade na educação infantil no Brasil e quais os caminhos concretos para sua implementação. O documento foi organizado pela Fundação Bracell, em parceria com a Cátedra Sérgio Henrique Ferreira do Instituto de Estudos Avançados Polo Ribeirão Preto da USP.

Intitulado Regime de Colaboração para a Educação Infantil, o relatório é resultado de uma construção coletiva que teve início no 1º Simpósio Internacional de Educação Infantil, realizado em junho de 2024 por uma parceria entre a Fundação Bracell, a Cátedra Sérgio Henrique Ferreira, o J-PAL, Insper e cooperação da Unesco. Dando continuidade às reflexões, a Cátedra e a Fundação promoveram, no início de 2025, uma mesa de aprofundamento focada essencialmente no regime de colaboração, reunindo especialistas, gestores públicos, representantes de organizações da sociedade civil e do meio acadêmico que atuam diretamente na formulação e implementação de políticas educacionais.

Como sistematização das apresentações e trocas, o documento publicado agora lança luz sobre um tema que, historicamente, tem sido menos discutido no contexto da primeira etapa da educação básica. Embora o regime de colaboração já tenha sido foco de iniciativas voltadas aos anos iniciais do ensino fundamental, ainda se faz necessário estruturar o debate de forma mais aprofundada, tendo como centro a educação infantil, com análises específicas para essa etapa.

Prevista na Constituição Federal, a colaboração ainda não tem sido implementada de forma robusta e institucionalizada na maior parte das redes brasileiras, o que reduz as possibilidades de enfrentar problemas comuns otimizando esforços e tendo ganho de escala. Segundo o documento, as disparidades técnicas, financeiras e operacionais entre os 5.569 municípios geram uma gestão educacional heterogênea que impacta a trajetória dos estudantes desde a educação infantil, etapa crucial para o desenvolvimento humano. Garantir experiências educativas de excelência, independentemente da localidade, é um desafio que exige articulação efetiva entre as diferentes esferas de governo.

Além de esclarecer do que trata o regime de colaboração, quais seus benefícios e como ele se alinha a uma série de diretrizes e programas nacionais que buscam ampliar a qualidade da educação infantil – sendo que muitos desses programas já preveem a colaboração entre os entes federados como estratégia estruturante –, o documento também aborda os principais desafios atuais para sua implementação, elucida os papéis de um amplo conjunto de atores para efetivar a colaboração e reúne uma série de recomendações para um avanço concreto.

“O documento evidencia que a colaboração entre União, Estados e municípios não é apenas desejável, mas essencial para garantir que todas as crianças brasileiras tenham acesso a uma educação infantil de qualidade, voltada para o desenvolvimento integral desde os primeiros anos de vida”, afirma Mozart Neves Ramos, titular da Cátedra Sérgio Henrique Ferreira e um dos coordenadores da iniciativa.

“Garantir prioridade à educação infantil precisa ser um compromisso coletivo e permanente. Este documento é um convite para que governos, sociedade civil e toda a comunidade educacional avancem juntos nessa agenda fundamental para o futuro do País”, destaca Eduardo de Campos Queiroz, diretor-presidente da Fundação Bracell.

Desafios e recomendações

Entre os desafios enfrentados no Brasil, a falta de mecanismos institucionais eficazes se destaca como um dos fatores que comprometem a prática colaborativa. A ausência de regulamentação torna a colaboração dependente da vontade política dos gestores, suscetível a descontinuidades e sem clareza sobre os papéis de cada ente. A limitação de recursos financeiros, humanos e técnicos de parte das redes municipais é outro fator que pode comprometer a capacidade de superação de desigualdades, demandando apoio e parcerias consistentes.

A insuficiência de ações intersetoriais, com baixa articulação entre áreas de educação, saúde, assistência social, urbanismo, entre outras, também pode dificultar o desenvolvimento integral das crianças. A necessidade de fortalecer práticas pedagógicas, desenho de atividades curriculares e acompanhamento com foco no desenvolvimento integral também é destacada, bem como a atenção à transição entre as etapas, buscando articulação entre educação infantil e ensino fundamental para reverter descontinuidades pedagógicas e de gestão.

O relatório também reconhece avanços recentes no cenário brasileiro, que favorecem a adoção de estratégias colaborativas, como a publicação dos Parâmetros Nacionais de Qualidade e Equidade da Educação Infantil e do Compromisso Nacional Criança Alfabetizada, que reforçam o papel do regime de colaboração na construção de políticas mais eficazes.

Por fim, o material traz recomendações práticas e acionáveis para que os diferentes entes federativos avancem na implementação de políticas colaborativas voltadas às crianças de 0 a 5 anos. Para isso, é preciso que haja um compromisso com a valorização da educação infantil, o uso de dados que permitam análises embasadas, o financiamento e a alocação apropriada de recursos para a implementação dos marcos legais estabelecidos. 

Acesse aqui o relatório em PDF

*Assessoria de Comunicação da Cátedra Sérgio Henrique Ferreira, com edição de Rita Stella



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