domingo, março 15, 2026
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Brics cresce de tamanho e importância após cúpula do Rio de Janeiro – Jornal da USP


“Ter mais estados aumenta o peso, aumenta a visibilidade, mas aumenta a complexidade”, diz Casella, e a expansão para 11 membros fez com que a articulação brasileira fosse crucial para costurar consenso durante cúpula no Rio

Logo BRICS/2025 – Foto: gov.br
Logo da Rádio USP

O bloco do Brics, que começou em 2001 como uma sigla para Brasil, Rússia, Índia e China, transformou-se em um mecanismo geopolítico relevante com a adesão da África do Sul em 2011 e a recente incorporação de seis novos membros – Egito, Etiópia, Irã, Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos e Indonésia. Paulo Borba Casella, professor da Faculdade de Direito (FD) da USP, comenta que o grupo agora representa cerca de 40% da população mundial e parcela significativa da economia global, embora mantenha natureza informal, com exceção do Novo Banco de Desenvolvimento criado em 2014.

Paulo Borba Casella – Foto: Marcos Santos/USP Imagens

A cúpula realizada no Rio de Janeiro neste mês marcou novo patamar de ambição do bloco, com declaração conjunta de 126 parágrafos que abordou desde reformas no sistema financeiro internacional até conflitos geopolíticos. “Vários parágrafos criticam os crimes cometidos por Israel na faixa de Gaza, a continuidade da ocupação ilegal da Cisjordânia e a preocupação com o ataque feito por Israel contra o Irã. Por outro lado, a declaração parece que perde o ‘pé na realidade’, quando deixa de fazer qualquer menção à agressão russa contra a Ucrânia, mas tem um parágrafo criticando a Ucrânia por se defender da Rússia. Aí eles enfraquecem a sua posição”, comenta o professor.

Desafios da expansão

A ampliação para 11 membros efetivos e dez associados trouxe maior peso político, mas também complexidade nas negociações. O consenso necessário para declarações conjuntas exige delicada articulação diplomática, com destaque para o trabalho de diplomatas brasileiros durante a cúpula no Rio, ressalta o professor.

Entre as prioridades históricas que continuam a unificar o bloco, destacam-se a reforma das instituições financeiras internacionais e a redução da dependência do dólar. Casella explica: “ a cúpula dos Brics no Rio de Janeiro parece ter despertado a ira do presidente americano que chegou a fazer declarações fora de propósito, como dizendo que o Brics foi criado para enfraquecer os Estados Unidos e para tirar o protagonismo do dólar. Eu diria que o enfraquecimento dos Estados Unidos já acontece por si mesmo e tirar o protagonismo do dólar, essas atitudes atrabiliárias do governo americano somente contribuem para acelerar que os estados procurem outras moedas para fazer a conta do seu comércio internacional”, conclui.


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