segunda-feira, março 16, 2026
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Desafios da COP30 são tema da nova edição da revista “Estudos Avançados” – Jornal da USP


Também procurando soluções, o artigo Amazônia em risco e a COP30 como uma oportunidade crítica para evitar o ponto de não retorno trata das maiores ameaças enfrentadas hoje pela Amazônia, apresentando estratégias baseadas na governança e na natureza que devem estar no radar da COP30. O texto é assinado por Carlos Afonso Nobre, pesquisador do IEA e copresidente do Painel Científico para a Amazônia, ao lado de Julia Arieira, doutora em Agricultura Tropical, e Diego Oliveira Brandão, doutor em Ciência do Sistema Terrestre, ambos membros da Secretaria Técnico-Científica do Painel Científico para a Amazônia.

O trio escreve que a conferência representa uma oportunidade para se debater e se encaminhar soluções que possam proteger todos os ecossistemas da Terra. Sobretudo no que toca à preservação dos limites ecológicos que mantêm a integridade da Floresta Amazônica e o bem-estar de suas populações. “Para que isso se concretize, é fundamental que o diálogo entre governos, sociedade civil, comunidades locais, setor privado e academia esteja ancorado tanto na ciência quanto nos saberes locais”, afirmam os autores.

Diante de um quadro de desmatamento, degradação florestal e queimadas, acompanhado pelas mudanças climáticas e aumento das secas, a Floresta Amazônica está rumando para um ponto de não retorno, alertam. Para evitar esse cenário, os autores sugerem que se pensem soluções baseadas na natureza.

“A Floresta Amazônica só existe porque sustenta, ela mesma, as condições necessárias à sua sobrevivência”, escrevem. “Fruto de uma longa evolução, abriga altíssima biodiversidade, recicla água e nutrientes de forma extremamente eficiente e mantém um clima úmido que dificulta a propagação de incêndios. Esses mecanismos asseguram sua manutenção e garantem serviços ecossistêmicos essenciais para o planeta, como o armazenamento de carbono e a exportação de umidade para outras regiões da América do Sul por meio dos chamados ‘rios voadores’.”

Tendo isso em vista, os autores afirmam que a restauração florestal na Amazônia deve estar atrelada a medidas de segurança alimentar e geração de empregos, ao uso de técnicas de pecuária e agricultura regenerativas e ao emprego de infraestrutura sustentável, com energia baseada na biomassa florestal e no aproveitamento da radiação solar. Isso tudo sem desconsiderar os saberes ancestrais.

“A COP30 será decisiva para a construção de caminhos que conciliem desenvolvimento sustentável e justiça climática – uma justiça que reconhece que os impactos das mudanças climáticas afetam diferentes grupos sociais de forma desigual, tanto em intensidade quanto em vulnerabilidade”, apontam os autores.

O papel da agropecuária no combate às mudanças climáticas é o tema central do artigo assinado pelo professor Carlos Eduardo Pellegrino, da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq) da USP, em parceria com outros dez autores. Pellegrino recorda que a agropecuária é uma das principais responsáveis pela emissão dos gases de efeito estufa, mas, ao mesmo tempo, é uma das atividades mais vulneráveis aos impactos das mudanças climáticas, sobretudo em países de clima tropical, como o Brasil. “Nesse sentido, é irrevogável a relevância e a efetividade das políticas públicas e compromissos brasileiros para a mitigação das emissões de GEE nos últimos anos, especialmente por atividades associadas à agropecuária.”

Para isso, contudo, Pellegrino frisa que é preciso coordenar intervenções técnicas e políticas de alto impacto, capazes de atender a todos os atores do setor agropecuário. Nessa direção, ele lembra o papel do Centro de Estudos de Carbono em Agricultura Tropical (Ccarbon) da USP, exemplo de iniciativa acadêmica que oferece auxílio na implementação de estratégias de adaptação e mitigação às mudanças climáticas.



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