Lorena Barberia explica que a ciência política tem procurado explorar por que, em contextos de muita volatilidade econômica, associada com volatilidade mundial, há uma dificuldade em punir ou premiar o Executivo

De que forma o eleitorado associa os choques globais com a atuação do Executivo? Essa é uma questão que o artigo Aprovação e responsabilização do executivo: o impacto dos choques globais nas democracias menos desenvolvidas, de Natália de Paula Moreira e Lorena Barberia, tenta responder, por meio de uma pesquisa que buscou entender dificuldades do eleitorado em atribuir responsabilidades ao Executivo, considerando relações entre economia e políticas governamentais em períodos de normalidade e períodos onde eventos globais externos impactam a economia interna. Quem explica é a coautora da pesquisa, Lorena Barberia, professora do Departamento de Ciência Política da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP.
“Estamos olhando os presidentes no Brasil e suas aprovações, procurando entender quando o governo tem mudanças, quando aumenta o desemprego, quando aumenta a arrecadação, se isso está se traduzindo em uma mudança, o que a gente espera. Aumenta o desemprego, cai a aprovação do governo, aumenta a arrecadação, cai a porcentagem dos eleitores que aprovam o governo”, aponta a professora. Ela explica que a ciência política tem procurado explorar por que, em contextos de muita volatilidade econômica, associada com volatilidade mundial, há uma dificuldade em punir ou premiar o Executivo.
Choques econômicos e covid
“Nesse artigo, testamos o caso brasileiro, olhando os choques econômicos grandes dos anos 1990, 2000 e 2010, nessas décadas. Tem dois momentos: os normais, que a gente chama de momentos em que está funcionando esse mecanismo, como se fôssemos pensar de punição ou de aprovação; e existem momentos em que os eleitores têm uma dificuldade de punir ou de premiar.” Lorena comenta que o segundo caso acontece durante períodos de recessão associada a um choque muito maior na economia mundial.
A pesquisadora também menciona a pandemia de covid-19 como exemplo de choque global. Ela explica que em outros países mais desenvolvidos houve um período maior de recessão se comparado ao Brasil, resultando em diferentes percepções sobre o papel do Executivo na economia durante o período: “Países onde houve uma piora muito grande na economia, não houve uma punição, quando olhamos as medidas da porcentagem de eleitores que aprovam ou desaprovam do governo. Isso está apoiando nossa teoria de que existe uma ligação muito importante de que o eleitorado entende que essa mudança não é algo que está relacionado unicamente à política adotada pelo Executivo”, acrescenta.
Entender o eleitorado
Lorena destaca que muito da literatura que trata do tema argumenta que em democracias jovens o mecanismo de punição na aprovação executiva em relação à economia não funciona. O artigo rebate essa compreensão, demonstrando a capacidade do eleitorado em realizar tal juízo, trazendo para períodos excepcionais uma maior dificuldade.
Lorena ainda conclui: “É importante para nós todos refletirmos, mas também para a ciência política entender que o eleitorado diferencia esses dois momentos. Quando estamos estudando atribuir responsabilidades, precisamos sempre ter essa leitura. Em um momento excepcional, talvez o mecanismo de como raciocina o eleitor seja diferente”.
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