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Morre Bob Wilson, um dos maiores diretores de teatro – 31/07/2025 – Ilustrada


Morreu, nesta quinta-feira (31), o diretor de teatro Bob Wilson, um dos nomes mais importantes do meio, que também deixou sua marca como diretor de óperas, iluminador, pintor, escultor e dramaturgo.

Nascido no Texas em 1941, ele se mudou para Nova York nos anos 1960 e se tornou uma das principais referências do teatro experimental no mundo, inclusive com diversas montagens no Brasil.

A morte foi confirmada pelo estúdio de Wilson, o Watermill Center, nas redes sociais.

Wilson se formou em arquitetura, enveredou pelas artes plásticas e encontrou no teatro e na ópera um modo de reunir todas as formas artísticas. Célebre pelo apelo visual e pela concepção minimalista, ficou conhecido pelo perfeccionismo, assinando também a cenografia e o desenho de luz de seus espetáculos.

Suas montagens foram de Shakespeare a contemporâneos como Heiner Müller, de Umberto Eco a poetas concretistas como Christopher Know- les, e, na música, de óperas de Wagner a parcerias com Lou Reed e David Byrne.

Nos anos 1970, fez parte de uma trupe de encenadores, que incluía Peter Brook, que se notabilizou pelos espetáculos longos, com uma atenção especial ao gesto, ao silêncio e às pausas —uma ruptura com a percepção automatizada, como afirmava o professor e teórico alemão Hans-Thies Lehmann.

Caso, por exemplo, da ópera “A Vida e Época de Dave Clarke”, no qual enormes “tableaux vivants”, ou quadros vivos, se moviam ao longo de mais de 12 horas. Originalmente, o espetáculo, que foi encenado em São Paulo, fala de Josef Stálin, mas o título foi alterado para evitar problemas com a censura.

No Brasil, trouxe ainda outras diversas montagens, dentre elas, sua versão de “A Última Gravação de Krapp”, de Samuel Beckett, além da “Ópera dos Três Vinténs”, de Bertolt Brecht, e “Lulu”, de Frank Wedekind e trilha sonora de Lou Reed —todas estas com a célebre companhia alemã Berliner Ensemble.

A identificação de Wilson com Beckett sempre foi marcante, seja na economia da linguagem, no desprezo pela narrativa convencional ou no jogo dialético entre tempo e espaço como recurso teatral. Mas ele só se aventuraria pela obra do irlandês após 40 anos de carreira, quando montou “Dias Felizes”, originalmente em 2008.

Em 2013, montou “A Dama do Mar”, com elenco brasileiro, no ano seguinte trouxe “A Velha Senhora”, com Mikhail Baryshnikov e William Dafoe, e, em 2016, produziu no Brasil o musical “Garrincha”.

Em 2012, estreou na Alemanha “Conferência sobre o Nada”, a partir da obra de John Cage. Apresentada em São Paulo em 2017, o espetáculo refletia a influência do músico em suas encenações —Wilson sempre começava a dirigir os espetáculos apenas com movimentos, sem diálogos ou som, e só depois acrescentava as falas.

Este texto está em atualização.



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