quarta-feira, maio 20, 2026
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Índice revela municípios com maior dificuldade de adaptação às mudanças climáticas – Jornal da USP


O UAI, que tem um conjunto de indicadores que variam de 0 (capacidade adaptativa institucional muito baixa) a 1 (capacidade adaptativa alta), foi aplicado em 5.569 municípios, além do Distrito Federal, tendo como base os dados da pesquisa sobre municípios (Munic) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), edição 2020/2021. “Apenas 1,4% dos municípios brasileiros estão no nível superior do UAI, entre 0,8001 e 1, e mais da metade dos municípios (54,1%) estão nas duas faixas inferiores do índice”, descreve a professora. 

“As pontuações do UAI variam entre 0,33 e 0,44 para os 4.893 municípios menores, que têm até 50 mil habitantes, indicando baixa capacidade adaptativa institucional. Para os 49 mais populosos, com mais de 500 mil habitantes, a média é de 0,74. Mesmo para as capitais, a pontuação final varia substancialmente: incluindo, por exemplo, São Paulo (0,89), e Brasília (0,95), Manaus (0,70), Natal (0,57), Curitiba (0,98) e Porto Alegre (0,85).”

A aplicação do UAI reforça alguns aspectos preocupantes, destaca Gabriela Di Giulio. “Somente um em cada três municípios brasileiros (36,9%) possui planos municipais de habitação, o que sugere que os esforços para abordar as áreas de vulnerabilidade e risco no setor habitacional ainda precisam ser aprimorados na maioria das cidades”, relata.

 “Apenas 13% das cidades informaram, em 2020, que tinham Planos Municipais de Redução de Riscos; e só 5,5% tinham Cartas Geotécnicas, instrumento de apoio ao planejamento urbano que fornece diretrizes para o uso e ocupação do solo com base na análise das características físicas do terreno e das formas de ocupação.”

A professora salienta que as cidades e regiões brasileiras são cada vez mais afetadas pelos impactos das mudanças climáticas e expostas a eventos simultâneos, como inundações, secas, deslizamentos de terra, que ameaçam o abastecimento de água, a infraestrutura e a agricultura, gerando impactos sociais, econômicos e de saúde em cascata.

“Um exemplo claro, citado inclusive no artigo, é o Rio Grande do Sul, que em 2023 sofreu uma seca causada pelo fenômeno La Niña, a pior em 17 anos, resultando em perdas econômicas substanciais”, explica. “Em 2024, o Estado sofreu inundações extremas que deslocaram mais de 615 mil pessoas, principalmente de baixa renda que viviam em moradias inadequadas e com acesso precário a serviços públicos.”



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