O estudo também destaca importantes questões de engenharia e gestão. A maior parte das ETEs atendia a populações de até 50 mil habitantes, geralmente operando de forma isolada e centralizada. Além disso, muitas dessas ETEs estavam subutilizadas, principalmente devido à baixa cobertura das redes coletoras. A adoção de estratégias integradas de gestão, incluindo diferentes níveis de centralização e descentralização, pode ser uma estratégia viável para melhorar o aproveitamento desses sistemas.
Para os autores, repensar o atual modelo de saneamento é fundamental para reduzir as cargas poluidoras e garantir a qualidade da água nos cursos d’água do Estado. Mais do que apenas ampliar a cobertura de tratamento é necessário investir em tecnologias mais eficientes e adaptadas à realidade dos municípios, otimizando o uso das infraestruturas já existentes.
Uma das sugestões dos pesquisadores é a utilização de lagoas de estabilização, um sistema de tratamento de água em que bactérias e algas atuam na decomposição da matéria orgânica presente em efluentes, como o esgoto, para pequenos municípios. Já para cidades maiores, acima de 100 mil habitantes, o grupo indica o sistema de reatores aeróbios para remoção de poluentes.
Os resultados da pesquisa estão no artigo Wastewater is still a major problem: a comprehensive evaluation of N and P loads into water bodies of the most populous state in Brazil, publicado no Journal of Environmental Management. O texto é de autoria de Karen Tavares Zambrano, doutoranda do Programa de Pós-Graduação em Engenharia Hidráulica e Saneamento da EESC, João Miguel Merces Bega, pós-doutorando na Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq) e do professor Davi Gasparini Fernandes Cunha, do Departamento de Hidráulica e Saneamento da EESC.
Mais informações: e-mail ktvazambrano@gmail.com, com Karen Zambrano
*Com informações do Serviço de Comunicação e Marketing da EESC
**Estagiário sob orientação de Moisés Dorado


