segunda-feira, março 16, 2026
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Acervo digital de arquitetura recebe imagens de espaços urbanos de países de língua portuguesa – Jornal da USP


Coletivos, instituições e indivíduos têm a possibilidade de contribuir para ampliar os múltiplos olhares sobre edifícios e espaços urbanos de países de língua portuguesa na plataforma colaborativa Arquigrafia

Foto antiga de uma praça com várias barracas de venda de produtos, pessoas circulando e prédios ao fundo
Vista geral da Praça Padre Damião, na Vila Prudente, em São Paulo (SP) – Foto: Solange Aragão (Lab. Quapá)/Acervo Arquigrafia

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Texto: Ana Beatriz Tuma
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As fotografias feitas de uma praça, em São Paulo, de uma viagem a Ouro Preto, em Minas Gerais, ou de tantos outros lugares, podem contribuir para documentar e preservar o patrimônio arquitetônico do Brasil e da comunidade lusófona em um mesmo acervo digital: a plataforma colaborativa Arquigrafia, projeto temático apoiado pela Fundação de Apoio à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) com base na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo e de Design (FAU) da USP. 

Para isso, é possível criar, gratuitamente, uma conta individual, coletiva ou institucional na plataforma e fazer uploads de imagens. A convergência desses uploads, vindos de diferentes coleções de imagens, contribuem para que o acervo do Arquigrafia se torne mais diverso e representativo de diferentes olhares sobre os ambientes urbanos brasileiros e lusófonos.

Três perfis de usuário, um só acervo fotográfico

Segundo Henrique Junges, coordenador da equipe de desenvolvimento do Arquigrafia, a principal diferença entre as contas individuais, coletivas e institucionais é que as duas últimas são pertencentes a um grupo. “Várias pessoas podem fazer essa coleção de imagens em conjunto, e não só o que acontece, normalmente, que é uma pessoa subir as próprias imagens para o seu perfil individual.”

Já no que se refere à diferença entre os perfis institucionais e coletivos, Artur Rozestraten, coordenador do Arquigrafia e professor da FAU, diz que o primeiro tipo está dentro do segundo, uma vez que reúne as contas de um grupo de pessoas vinculadas a uma instituição, como um museu. Todavia, “a coletiva não necessariamente é institucional, porque ela pode ter um sentido mais informal, ou seja, a coletiva pode ser  de um coletivo de estudantes ou de uma comunidade que se interessa por fotografia, por exemplo”.

Registro fotográfico do Jardim Botânico de São Paulo (SP) – Foto: Gabriel Dornelas (Lero Lero)/Acervo Arquigrafia

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A possibilidade de ter contas coletivas ou institucionais surgiu logo no início da plataforma colaborativa, nos anos 2010, “com a intenção de criar uma convergência das produções individuais, como, por exemplo, a produção fotográfica individual de pesquisadores vinculados a um laboratório sob uma mesma identidade, no caso, a desse laboratório no Arquigrafia”, explica Rozestraten. O mesmo acontece com relação a instituições, como bibliotecas e museus, que, muitas vezes, têm uma equipe de funcionários dedicados a cuidar de coleções fotográficas.

“A criação de uma identidade no Arquigrafia facilita muito a construção de um espaço para essas iniciativas na internet. Ao invés de cada instituição [ou coletivo] criar a sua própria página na internet, como Web 1.0, o Arquigrafia já oferece uma plataforma toda configurada, funcional e gratuita. Assim, as instituições encontram uma alternativa pronta para o processo de realizar um investimento considerável na criação e, principalmente, para a manutenção contínua de uma página que corre o risco de ficar obsoleta rapidamente”, destaca o professor da FAU, lembrando que essa plataforma está on-line desde 2010 ininterruptamente. 

E como se faz para criar uma conta institucional ou coletiva no Arquigrafia? O primeiro passo é que todas as pessoas do grupo criem suas contas individuais na plataforma colaborativa “porque vão ser essas contas que vão ser usadas para acessar tanto o perfil individual quanto o perfil institucional [ou coletivo]”, elucida Henrique Junges.

Depois, Junges conta que é necessário que um dos integrantes do grupo preencha um formulário disponível na plataforma colaborativa. Por fim, a equipe do Arquigrafia criará a conta coletiva ou institucional e notificará as pessoas que a integrarão, validando o acesso delas. 

“[O acesso a] esse perfil institucional [ou coletivo], depois que a gente dá o ok, é na página de login. Há um botão de login institucional e depois uma nova janela: você só precisa selecionar a instituição [ou coletivo] e acessar com o seu usuário e senha normais para postar as imagens”, esclarece o coordenador da equipe de desenvolvimento do Arquigrafia.

A experiência de quem está lá dentro

Diversos indivíduos, coletivos e instituições já possuem suas contas na plataforma colaborativa. É o caso de Rafa D’Andrea, fotógrafo de arquitetura e interiores, que diz que “o Arquigrafia é uma plataforma única no Brasil, não só por valorizar a produção fotográfica profissional voltada à arquitetura, mas também por funcionar como um portal de consulta aberto e acessível para estudantes, pesquisadores e profissionais da área”. Para ele, “ter uma conta ali me permite contribuir com a difusão do patrimônio arquitetônico e, ao mesmo tempo, dar mais alcance ao meu trabalho autoral, que ganha contexto e permanência dentro de um acervo mais amplo e relevante”.

Residência Roberto Millan, em São Paulo (SP) – Foto: Rafa D’Andrea/Acervo Arquigrafia

 

Casa de taipa tradicional no Quilombo Cafundó, em Salto de Pirapora (SP) – Foto: Karina Leal/Acervo Arquigrafia

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Por sua vez, a bolsista de iniciação científica (IC) da Fapesp no Arquigrafia, Karina Leal, tem desenvolvido, por meio de sua conta individual, uma pesquisa com foco em aumentar a inserção de espaços negros do Estado de São Paulo na plataforma colaborativa. Segundo Leal, isso “tem me ajudado muito na compreensão da importância dessas imagens dentro de um site e de como eu consigo visualizá-las também com a criação dos álbuns e organizá-las”. Dessa maneira, ela diz ser relevante a criação de um acervo de imagens que mostre a potência do povo negro paulista. 

Uma conta coletiva que está dentro do Arquigrafia é a do Lero Lero, o qual é constituído pelos estudantes da FAU, promovendo a democratização do ensino de Arquitetura e Urbanismo e de Design por meio de visitas guiadas com registros fotográficos. Um de seus integrantes, Raphael Ramos, vê vantagens em usar esse tipo de perfil. 

“Se os fotógrafos, que são os nossos membros, postassem individualmente em suas contas, isso desmembraria muito essa ideia das nossas visitas. E como têm algumas visitas que o fotógrafo muda, a gente tenta manter, em nossa estrutura, sempre uma rotatividade dos membros que vão nas visitas e tiram as fotos, então, isso dificultaria essa identidade do coletivo; as visitas estariam separadas por cada fotógrafo”, conta Ramos.

Além disso, de acordo com ele, quando se tem um único perfil, fica mais fácil para o público encontrar o coletivo e para este se posicionar como tal no Arquigrafia. “Muitos dos lugares que a gente visita não são exatamente abertos ao público quando, por exemplo, são residências privadas ou quando é uma instituição que não é tão de fácil acesso. Então, ter essa imagem também possibilita que as pessoas que não participaram da visita tenham um pouco daquela experiência”.

Por fim, a coordenadora do Laboratório Quadro do Paisagismo no Brasil (Lab. Quapá), Ana Cecília de Arruda Campos, conta que o intuito de eles possuírem uma conta institucional no Arquigrafia é “disponibilizar tudo que nós produzimos para qualquer pessoa. Sejam parceiros nossos, acadêmicos, sejam pessoas outras que não tenham ligações diretas, mas que possam de fato usar o nosso material”.

O Lab. Quapá possui centenas de fotografias aéreas e terrestres de localidades por todo o Brasil, que assim como as pertencentes às demais contas desta entrevista, podem ser baixadas gratuitamente na plataforma colaborativa.

Para acompanhar as atividades promovidas pela equipe do Arquigrafia, acesse o Instagram neste link. Para ver a plataforma clique aqui.

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* Bolsista JC-IV junto ao Projeto Temático Fapesp Experiência Arquigrafia 4.0 e pesquisadora colaboradora da FAU





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