Muitos problemas causadores da deficiência visual e da cegueira são frequentes na população, mas possíveis de resolver com medidas simples, ressalta Eduardo Rocha
Um artigo da revista Lancet Global Health, de 2021, mostra que, de tempos em tempos, os problemas da saúde ocular e as estratégias e metas para resolvê-los são propostos e revistos. Medidas eficazes e mesmo imprevistos acabam por modificar a frequência desses problemas e as prioridades a serem tratadas pela saúde pública. Problemas visuais atrapalham a educação, o rendimento no trabalho, a qualidade de vida individual e da comunidade. Por isso, os problemas oculares são questões de saúde pública que recebem atenção de governos locais e transnacionais e devem ser alvo de programas e frequentemente avaliados.
Segundo o professor Eduardo Rocha, as principais causas de cegueira são os erros de refração, a catarata, o glaucoma, as doenças da retina causadas pelo diabetes e pela degeneração da mácula, as opacidades de córnea e o tracoma. Tracoma é frequente em algumas regiões tropicais áridas, principalmente da África, e atinge principalmente crianças. O glaucoma e as doenças da retina causam proporcionalmente mais cegueira em regiões mais ricas e em populações mais velhas, onde outros problemas já foram resolvidos. Com a melhora dos antibióticos e medidas preventivas como acesso a água limpa e prevenção da infecção no parto, as infecções deixaram de ter protagonismo e, por outro lado, mesmo com a facilidade de diagnosticar e produzir óculos e o grande avanço das cirurgias de catarata, esta continua sendo muito frequente, principalmente em regiões mais pobres do mundo.
Ainda de acordo com o especialista, muitos problemas que causam a deficiência visual e a cegueira são frequentes na população, mas possíveis de resolver com medidas simples – encarar como estratégias de saúde pública tem enorme eficácia na sua solução. Foi isso que revisou o histórico de prevenção no artigo de Burton e colaboradores de 2021, com participação de importantes oftalmologistas brasileiros e que lembrou das estratégias de suplementação de vitamina A, em 1988, o plano para reduzir a cegueira, em 2020, feito pela OMS em 1999, e também a validação de métodos para detectar a cegueira com exames simples. Essas medidas permitiram mapear a cegueira nas grandes populações e fez com que fosse proposta boa saúde visual entre as metas para o desenvolvimento sustentável da ONU para 2030. O mapeamento permitiu também analisar as mudanças de cenário ao longo do tempo, causadas por questões demográficas, climáticas e também perceber as idiossincrasias. Entre elas, ainda constatar que temos perdas de visão por causas que são preveníveis com baixo custo e um grande contingente de cegueira por catarata senil, apesar do tratamento ter se tornado muito mais seguro e rápido nas últimas décadas.
Fique de Olho
A coluna Fique de Olho, com o professor Eduardo Rocha, vai ao ar quinzenalmente, quarta-feira às 8h30, na Rádio USP (São Paulo 93,7; Ribeirão Preto 107,9) e também no Youtube, com produção da Rádio USP, Jornal da USP e TV USP.
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