Promovido pela Cátedra Paschoal Senise, da Pró-Reitoria de Pós-Graduação da USP, o seminário discutiu a relação entre a pós-graduação, a pesquisa, a inovação e o desenvolvimento social e econômico do País
Por Erika Yamamoto

“A Cátedra Paschoal Senise é um esforço da USP para trazer temas relevantes à pós-graduação, especialmente na interface com temas de maior impacto para a sociedade como a educação básica, a política de pós-graduação, o desenvolvimento sustentável e, agora, a inovação”, afirmou o titular da cátedra, Luiz Roberto Liza Curi, na abertura do seminário A Pós-Graduação e a Pesquisa Frente às Iniciativas de Inovação: Os Impactos da USP nos Desafios da Inovação no Brasil, realizado nesta quinta-feira, dia 7 de agosto, no Auditório István Jancsó da Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin.
O seminário é uma atividade da Cátedra Paschoal Senise, da Pró-Reitoria de Pós-Graduação (PRP), realizado em parceria com a Pró-Reitoria de Pesquisa e Inovação (PRPI) da USP.
“Na USP, o conceito de inovação não está ligado apenas à evolução tecnológica, mas trata-se também de uma colaboração mais ampla com o Estado, contribuindo com políticas públicas e sociais. Outro conceito importante é o de cocriação. Precisamos desenvolver a inovação em parceria com agentes públicos, empresas e outros setores da sociedade para que a inovação seja de qualidade”, Carlotti.

Discussões
O reitor foi o moderador da primeira mesa do seminário, que teve como tema “a interação entre universidade e inovação na percepção da demanda” e contou com a participação do presidente da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), Marco Antonio Zago; do presidente do Conselho Superior de Inovação da Fiesp, Pedro Wongtschowski; e da presidente da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), Denise Pires de Carvalho.
“No Brasil, a maior parte das pesquisas ocorre na academia e muito pouco nas empresas. Nos países líderes em inovação, a pesquisa ocorre nas empresas. Para aumentar a participação dos investimentos empresarias nessa área, temos que tomar medidas como incentivos legais e o fortalecimento da segurança jurídica para os investimentos privados em ciência e tecnologia e inovação, por exemplo. Também é preciso fortalecer a presença de pesquisadores no setor produtivo e a pós-graduação representa uma estratégia importante para promover essa iniciativa”, explicou o Zago.
Pedro Wongtschowski falou sobre as características do setor empresarial brasileiro e os desafios para a inovação, entretanto, ressaltou que “nos últimos dois anos o investimento em inovação empresarial no Brasil tem sido crescente. As indústrias querem dinheiro para investir em ciência e tecnologia, mas com juros civilizados. Esses investimentos feitos pelo BNDES, Finep, Embrapii, certamente, gerarão uma enorme demanda por mestres e doutores formados por instituições de ciência e tecnologia diferenciadas”.
Para a presidente da Capes, “a ciência antecede a pós-graduação, mas a pós-graduação é o motor da ciência, uma engrenagem fundamental para que haja avanços com mais velocidade, para que possamos ter mais inovação no País. A academia não tem como atribuição a inovação, mas é a base para que a inovação possa acontecer, porque a inovação acontece por meio de conhecimento gerado e o conhecimento é gerado pela pesquisa”.
Denise permaneceu como debatedora da segunda mesa do evento, que abordou o tema “políticas institucionais dedicadas à inovação: novos arranjos na pós-graduação, curricularização da inovação, organização da pesquisa em diálogo com a sociedade”. A coordenação foi do próprio catedrático Luiz Curi, e contou com a participação dos pró-reitores Paulo Nussenzveig (PRPI), Rodrigo Calado (PRPG), Marli Quadros Leite (PRCEU) e Ana Lanna (PRIP).
“Nós não estamos conseguindo fazer com que as pesquisas de alta qualidade que desenvolvemos impactem de maneira ampla e estruturada o desenvolvimento industrial e a inovação. Há falhas no ordenamento da política de inovação do País, falta um esforço institucional e falta, sobretudo, entendermos o papel estratégico das universidades brasileiras nesse processo”, afirmou Curi.

Após o almoço, a diretora do Instituto de Estudos Avançados (IEA), Roseli de Deus, e o assessor da Reitoria, José Roberto Cardoso, coordenaram a mesa que discutiu “os impactos esperados na articulação entre a Pós-Graduação com as iniciativas de Inovação e Empreendedorismo da USP”, com a participação de Fátima Nunes (Escritório de Gestão de Indicadores de Desempenho Acadêmico), Raul Gonzales Lima (PRPI), Júlio Romano Meneghini (Centro de Pesquisa para Inovação em Gases de Efeito Estufa) e Liliam Sanchez Carrete (FEA).
A seguir, Jorge Luís Nicolas Audy (Parque Tecnológico da PUC-RS), Romildo Dias Toledo Filho (Parque Tecnológico da UFRJ), Marcelo Knörich Zuffo (InovaUSP), Luiz Henrique Catalani (Agência USP de Inovação) e Tito José Bonagamba (InovaUSP São Carlos) discutiram “a presença da pós-graduação em experiências nacionais de inovação”. A coordenação da mesa foi da diretora da Faculdade de Economia, Administração, Contabilidade e Atuária (FEA), Maria Dolores Montoya Diaz, e do professor da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq), Mateus Cecílio Gerolamo.
Encerrando o evento, a assessora da PRPI, Ana Paula Tavares Magalhães, fez uma síntese do seminário, com as participações de Rodrigo Calado, Paulo Nussenzveig e Luiz Curi.
Cátedra Paschoal Senise
Criada em 2020, a cátedra tem como objetivo refletir sobre a pós-graduação da Universidade e propor inovações na área, com um titular externo a cada ano. Homenageando o professor Paschoal Ernesto Senise, considerado um dos principais responsáveis pela regulamentação da pós-graduação na USP, a cátedra propõe debates e conferências com o corpo docente e discente da instituição.
Anteriormente, ocuparam a cadeira de titular o sociólogo Abilio Afonso Baeta Neves (2021), a agrônoma Concepta Margaret McManus Pimentel (2022) e o pesquisador Jorge Luis Nicolas Audy (2023).




