Coordenador explica como funcionam os projetos do STAC, que envolvem segurança alimentar, uso de tecnologias no campo e apoio a políticas públicas que melhoram a qualidade de vida no meio rural
Por Michel Sitnik

Esta edição do boletim Por Dentro da USP encerra a série que apresentou todos os centros de estudos multidisciplinares que promovem pesquisas inovadoras voltadas para os grandes desafios da sociedade em diferentes áreas do conhecimento. Estes centros reúnem docentes, pesquisadores e estudantes de diversas unidades da Universidade em torno de temas estratégicos, incentivando a colaboração científica, a produção de conhecimento interdisciplinar e a articulação com políticas públicas e demandas sociais.
O episódio conta com a entrevista do professor Durval Dourado Neto, da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq) da USP em Piracicaba, coordenador do Centro de Agricultura Tropical Sustentável (STAC, na sigla em inglês para Sustainable Tropical Agriculture Center).
“A missão do centro é promover uma interação contínua entre as unidades da Universidade de São Paulo e instituições públicas e privadas, tanto no Brasil enquanto no exterior. Para isso, o STAC organiza e coordena estudos colaborativos entre áreas complementares, articulando soluções estratégicas e inovadoras que visem à prosperidade do País por meio da agricultura tropical sustentável. O objetivo é desenvolver diagnósticos e prognósticos focados em segurança alimentar e na qualidade dos alimentos, além de propor soluções estratégicas para políticas públicas, ao mesmo tempo em que compila e sintetiza conhecimentos para caracterizar o estado da arte em diferentes tecnologias, prestando serviços que contribuam para o desenvolvimento da agricultura tropical sustentável”, comenta Dourado.

Ele explica como está estruturado o trabalho desenvolvido pelos pesquisadores: “Temos vários núcleos: pesquisa; inovação e empreendedorismo; comunicação e difusão; cooperação internacional; controle biológico de pragas para sustentabilidade agrícola; e núcleo de novos negócios. Como áreas de pesquisa, atualmente são cinco. A primeira é a domesticação da macaúba, visando à produção de combustível sustentável para aviação. A segunda é o selo verde Brasil, que se destina a criar uma estratégia nacional de certificação e avaliação de conformidade para produtos e serviços brasileiros. O terceiro projeto é sobre inteligência territorial e segurança alimentar, um projeto de eficiência de produção alimentar com foco em agricultura irrigada, visando ao incremento de 40% da atual produção agrícola brasileira. O quarto projeto, conectividade rural, é o uso de tecnologias em prol da eficiência da produção rural. E, por último, o nosso quinto projeto, é o de recuperação de pastagens degradadas, que procura desenvolver sistemas de otimização da produção agrícola e atenuação de mudanças climáticas”.
O coordenador finaliza prospectando algumas das expectativas sobre os resultados do centro para o futuro: “Esperamos que o STAC se torne um hub de inovação em práticas agrícolas sustentáveis, desenvolvendo novas tecnologias e metodologias, trabalhando fortemente em parcerias globais, e consolidando-se como um importante centro de formação e capacitação, preparando profissionais altamente qualificados para atuar nas diversas áreas relacionadas à agricultura sustentável. Espera-se também que o STAC influencie a formulação de políticas públicas eficazes, promovendo práticas agrícolas que não apenas aumentam a produtividade, mas também melhorem a qualidade de vida. É importante ressaltar que o centro planeja atuar na divulgação de conhecimentos e boas práticas agrícolas para que as informações cheguem a um público amplo, incluindo pequenos agricultores e comunidades rurais”.




