“Hoje em dia, já não dá mais para ver para crer. Eu não posso ter certeza que uma imagem que eu vi é real ou artificial. É só o começo”
A fotografia computacional transformou a câmera em um dos principais diferenciais na escolha de smartphones. Atualmente, tirar uma foto envolve inteligência artificial, sensores e algoritmos que criam imagens cada vez mais avançadas — muitas vezes superiores às de câmeras profissionais do passado. Apple, Google e Samsung, por exemplo, utilizam tecnologias distintas que resultam em estilos visuais únicos.
No entanto, essa evolução também traz desafios. A comparação constante com imagens perfeitas nas redes sociais gera expectativas irreais e pressão estética, transformando a fotografia em ferramenta de exposição e opressão. Questões éticas surgem com recursos como embelezamento automático, que levantam debates sobre padrões de beleza e a autenticidade da imagem.
Com a chegada de tecnologias com super-resolução, realidade aumentada e fotografia preditiva, o conceito de “foto real” se torna cada vez mais nebuloso. Nesse novo cenário é preciso refletir sobre os limites e responsabilidades do uso dessas ferramentas.
Segundo Luli Radfahrer, as fotos de smartphone estão ficando cada vez melhores. “O problema, na verdade, é que agora os padrões estéticos são globais e, com a internet, você sempre pode ver uma foto melhor do que a sua […] e agora as pessoas começam a ter expectativas irreais.” O colunista afirma que a própria ideia da verdade fotográfica começa a ser colocada em questão. “Afinal de contas, hoje em dia, já não dá mais para ver para crer. Eu não posso ter certeza que uma imagem que eu vi é real ou artificial. É só o começo.”
Datacracia
A coluna Datacracia, com o professor Luli Radfahrer, vai ao ar quinzenalmente, sexta-feira às 8h, na Rádio USP (São Paulo 93,7 ; Ribeirão Preto 107,9 ) e também no Youtube, com produção da Rádio USP Jornal da USP e TV USP.
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