Segundo Raquel Rolnik, agora, a única forma de enfrentar o problema é com regulação, já que o que poderia ter sido feito não foi
O tema aqui são os preços exorbitantes das hospedagens em Belém para a COP30, o que tem gerado muitos protestos por parte de delegações oficiais, inconformadas com o pagamento de diárias de até R$ 20 mil. A professora Raquel Rolnik explica que Belém não tinha capacidade de atender a uma demanda tão grande e, desde que a cidade foi anunciada para sediar o evento, alertou-se para a necessidade de investimentos. O BNDS chegou a financiar a construção de hotéis e a criar linhas especiais de investimento para que se fizessem pequenas pousadas. “Na verdade, o que se armou foi uma operação COP30 como investimento, operação COP30 como negócio, possibilidade de ganhar dinheiro, e foi exatamente isso o que aconteceu. Agora, nas leis do mercado, com uma demanda enorme de gente que quer ir a Belém, concentradamente em dez dias, que são os dez dias do evento, os preços foram lá para cima.” O que deveria, portanto, ser a questão principal, que é a discussão climática, acabou virando uma grande oportunidade de se ganhar dinheiro.
A única forma de enfrentar isso, segundo Raquel Rolnik, é com regulação.”Uma das medidas agora, depois que estourou o escândalo, foi a entrada do Ministério Público, da Defensoria Pública e do Procon numa ação conjunta de notificar as plataformas de anúncio de hospedagem, que deveriam retirar os anúncios abusivos, e definiam anúncios abusivos como tantos por cento maior do que a média de valor da hospedagem do último ano, incluindo alta temporada […] então não sei qual vai ser a reação, as plataformas iam ter 48 horas para retirar esses anúncios abusivos do ar.” A professora informa ainda que o governo tem procurado dialogar com os hotéis e os empresários na tentativa de dar uma solução para esse problema. “Tudo isso é uma lição muito clara, porque tem dois caminhos para a COP, eu me lembro muito em Belém do Fórum Social Mundial, a mobilização que aconteceu para hospedagem solidária, das pessoas poderem acolher as milhares de pessoas que foram ao fórum sem recursos para pagar, e cujas vozes também são extremamente importantes para a gente discutir essas questões. Isso não foi feito de jeito nenhum e agora está se pagando o preço dessa não ação.”
Cidade para Todos
A coluna Cidade para Todos, com a professora Raquel Rolnik, vai ao ar quinzenalmente quinta-feira às 8h30, na Rádio USP (São Paulo 93,7; Ribeirão Preto 107,9) e também no Youtube, com produção da Rádio USP, Jornal da USP e TV USP.
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