terça-feira, março 17, 2026
HomeSaúde física e emocionalOrquestra de Câmara da USP faz o concerto “Realidades Imaginárias” – Jornal...

Orquestra de Câmara da USP faz o concerto “Realidades Imaginárias” – Jornal da USP


Conjunto se apresenta nesta semana na Cidade Universitária e no Instituto Tomie Ohtake, em São Paulo

Por

Uma orquestra durante uma apresentação.
A Orquestra de Câmara (Ocam) da Escola de Comunicações e Artes (ECA) da USP – Fotos: Ocam/Divulgação

 

Nesta semana, a Orquestra de Câmara (Ocam) da Escola de Comunicações e Artes (ECA) apresenta o concerto Realidades Imaginárias, que será exibido em duas ocasiões: nesta sexta-feira, dia 15, às 12h30, no Centro Cultural Camargo Guarnieri – localizado na Cidade Universitária, em São Paulo –, e no domingo, dia 17, às 11 horas, no Instituto Tomie Ohtake, também em São Paulo. As apresentações vão ter regência do maestro André Bachur e a participação como solista do violonista Edelton Gloeden, professor do Departamento de Música da ECA. 

“O nome do programa traz para o plano da música a dicotomia entre realidade e fantasia”, conta Bachur. O maestro explica que o repertório inclui obras que dialogam com outras áreas do conhecimento e das artes, com elementos extramusicais. “Metáforas e alegorias que acompanhamos no universo das artes e no nosso dia a dia são trazidos para o universo da orquestra”, diz.

Bachur cita como exemplo Gromovnik, peça inédita do compositor Yuri Behr, que abre o programa. O título da obra remete a um personagem da mitologia croata que comanda relâmpagos e tempestades. A peça faz referências, também, às mudanças climáticas, através de estrondos e mudanças súbitas de clima. “O tempo da peça tem uma plasticidade e vai se alterando, assim como podemos interpretar o tempo das nossas vidas e o tempo do meio ambiente”, considera. “É um encontro entre uma lenda distante do universo brasileiro e uma realidade climática mundial.”

Sobre Fragmentos, de Marisa Rezende – outra composição prevista no programa do concerto –, o regente pontua: “É uma peça absolutamente fragmentada. Para ouvir os elementos da música – melodia, harmonia, contraponto –, você precisa abrir sua audição para o que a orquestra está fazendo”. Segundo ele, nenhuma parte é tocada do começo ao fim por um instrumento só, o que reforça a impressão de fragmentação.

Homem de cabelos soltos e de barba regendo uma orquestra.
O maestro André Bachur – Foto: Cecília Gidali

 

O maestro destaca a participação do solista Edelton Gloeden, “uma referência do violão brasileiro”, e a obra que será executada por ele com a Ocam, o Concerto nº 1 para Violão e Pequena Orquestra, de Heitor Villa-Lobos. “Tem momentos nela em que reconhecemos a música seresteira brasileira e momentos em que reconhecemos aspectos mais modernos”, aponta. 

O programa inclui ainda a estreia mundial da peça Amarelo-Bilophila, do compositor paulistano Fernando Dias Gomes, produzida no Atelier de Composição da Ocam – uma iniciativa da orquestra que oferece a alunos do Departamento de Música da ECA a oportunidade de praticar a orquestração profissional. O nome da obra de Gomes faz referência à bactéria Bilophila wadsworthia, que faz parte da microbiota intestinal humana, mas também atua na decomposição pós-morte. “A peça lida com a vida e a morte. É como se fosse uma decomposição musical dentro da obra. O movimento e a expressividade surgem desse embate, mas também é poeticamente muito bem construída”, analisa Bachur. 

A Suite Pulcinella, obra do compositor russo Igor Stravinsky (1882-1971), encerra o programa. Bachur classifica essa peça como “divertida”. Nela, Stravinsky remonta a personagens da comédia dell’arte, um tipo de teatro popular surgido na Itália no século 16. “É uma obra que inaugura o período neoclássico de Stravinsky. A peça tem vários movimentos e climas e é mais rítmica em relação às demais”, observa o maestro. 

O repertório, majoritariamente formado por obras brasileiras e de compositores vivos, é definido por Bachur como “absolutamente fantasioso”. “Vai ser um conceito de muita fantasia, tanto no despertar da imaginação de quem vai ouvir quanto na fruição dos sons e das cores que traremos com essas cinco obras”, destaca Bachur. Segundo ele, os ouvintes poderão notar diferentes técnicas de emissão de som dos instrumentos entre as peças. “Os assuntos e as temáticas de todas essas obras se entrelaçam e atingem muitas paisagens e linguagens”, finaliza o maestro. 

​​O concerto Realidades Imaginárias, da Orquestra de Câmara (Ocam) da Escola de Comunicações e Artes (ECA) da USP, será realizado nesta sexta-feira, dia 15, às 12hs30, no Centro Cultural Camargo Guarnieri (Rua do Anfiteatro, 109, Cidade Universitária, em São Paulo). A entrada é grátis, mediante a doação de um quilo de alimento não perecível e a reserva de ingresso neste link. O concerto será apresentado também neste domingo, dia 17, às 11 horas, no Instituto Tomie Ohtake (Rua Coropé, 88, em Pinheiros, próximo à Estação Faria Lima do metrô). Entrada grátis. Não é preciso reservar ingressos. Mais informações estão disponíveis no site da Ocam

* Estagiária sob supervisão de Roberto C. G. Castro



Fonte

Mais populares

- Anúncio-
Google search engine