terça-feira, março 17, 2026
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Crescem a população e a falta de infraestrutura em áreas de conservação ambiental – Jornal da USP


Especialista revela que desafios como falta de saneamento básico e água tratada dificultam a qualidade de vida em áreas naturais

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Imagem feita durante o dia de uma mata florestal, repleta de árvores e vegetações
Mais de 11,8 milhões de brasileiros moram em áreas de conservação ambiental e mais de 40% enfrentam carências em serviços essenciais – Foto: Freepik
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O número de pessoas que vivem em áreas de conservação ambiental no Brasil atingiu cerca de 11,8 milhões, segundo o Censo 2022 do IBGE. O levantamento revelou ainda que 40,34% desses moradores enfrentam carências em serviços básicos, como acesso à água tratada, esgoto ou coleta de lixo. Entre eles, aproximadamente 856.495 pessoas convivem com precariedades simultâneas.

Eliezer Martins Diniz – Foto: CV Lattes

Para o professor Eliezer Martins Diniz, da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade de Ribeirão Preto (FEA-RP) da USP, a infraestrutura nessas regiões exige atenção especial. “Você precisa instalar rede de abastecimento de água, esgoto, energia, uma infraestrutura urbana em geral. Só que, por estar em uma unidade de conservação, é preciso aprovação prévia do órgão gestor e estudo de impacto ambiental. Pelo fato de estar em uma unidade de conservação, é preciso priorizar o meio ambiente, por isso todas essas exigências”, explica.

Os investimentos em infraestrutura nessas áreas, por determinação do órgão responsável, o Instituto Chico Mendes da Biodiversidade (ICMBio), devem estar alinhados à preservação ambiental. Diniz cita, como exemplo, a escolha da fonte energética. “Há tipos que geram poluentes, como uma usina termoelétrica, e outros considerados energia limpa. O tipo de investimento em infraestrutura que será feito determina se ajudará a garantir a conservação ambiental.”

Segundo o professor, a qualidade de vida nessas regiões depende do perfil e das prioridades de cada morador. Enquanto moradores de cidades buscam transporte público e serviços amplos, quem escolhe viver em unidades de conservação prioriza o contato com a natureza. “Eu imagino que para uma pessoa escolher esse tipo de vivência é porque prioriza o contato com a natureza. Com isso, será uma qualidade muito mais básica do que quem vive em uma cidade grande, mas, por outro lado, ela terá outros ganhos, como o contato com a natureza, ar e água pura, contato com a flora e fauna”, afirma Diniz.

Ainda assim, Diniz destaca que é essencial que o poder público assegure não apenas o básico, mas também educação e saúde de qualidade. Para Diniz, a participação social é igualmente importante. “Os moradores podem participar de conselhos, colaborar com os órgãos gestores, levando problemas ou propondo soluções. É necessário que haja um programa ou algum tipo de educação ambiental, de modo a fazer com que se crie em cada morador a consciência da contribuição dele, seja positiva ou negativa sobre o meio ambiente onde vive. Uma vez que eles saibam a consequência de cada opção, cada escolha que eles fazem, a tendência é realizar as escolhas certas e colaborar efetivamente para a conservação do meio ambiente na unidade de conservação onde vivem”, completa.

A ausência do Estado nessas regiões, alerta o professor, pode trazer sérios riscos. “Isso pode ocasionar um conflito, inclusive armado com consequências imprevisíveis. Também a ausência de poder público nessas regiões pode fazer até mesmo com que moradores mudem de opinião e tentem explorar a unidade de uma forma não sustentável ou até mesmo explorar jazidas de minério que estejam escondidas ali”, finaliza.

As unidades de conservação se dividem em dois tipos: de proteção integral e de uso sustentável. As de proteção integral buscam preservar a natureza e seus recursos, permitindo apenas o uso indireto, sem consumo ou coleta, para evitar danos ou destruição. Já as áreas de uso sustentável permitem uma parcela do uso direto ou indireto dos recursos naturais, contanto que seja de forma responsável e que preserve parte do recurso para futuras gerações.

Contudo, a gestão eficiente dessas áreas depende do diálogo constante entre moradores e órgãos gestores. O engajamento da população local é essencial não apenas para garantir infraestrutura compatível com a conservação, mas também para prevenir conflitos e promover o uso responsável dos recursos naturais; assim é possível conciliar proteção ambiental com melhoria da qualidade de vida de quem vive nessas unidades de conservação.

*Estagiária sob supervisão de Ferraz Junior e Gabriel Soares



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