A febre oropouche (ORO) é uma doença emergente, cuja incidência no Brasil aumentou drasticamente nos últimos anos: em 2020 e 2021 foram 108 casos confirmados sorologicamente, a maioria na região amazônica; em 2024, esse número chegou a 10.940 – espalhados por vários Estados do País e incluindo duas mortes. O arbovírus é transmitido principalmente pelo inseto Culicoides paraensis, também conhecido como maruim.
Um estudo conduzido por pesquisadores da USP e Instituto Butantan investigou os fatores que impulsionaram a expansão desta doença zoonótica (que pode ser transmitida entre animais e humanos). Os resultados revelaram que maiores temperaturas e quantidade de chuvas, juntamente com mudanças na cobertura e uso da terra e alterações no genoma do vírus foram elementos-chave para a sua distribuição.
Camila Lorenz, primeira autora do artigo, é bióloga e pesquisadora pelo Instituto Butantan. Em parceria com Maria Anice Sallum e Francisco Chiaravalloti, professores no Departamento de Epidemiologia da Faculdade de Saúde Pública (FSP) da USP, o grupo conduziu técnicas de modelagem e análise espacial para identificar áreas de alto ou baixo risco de infecção. A Região Norte permanece com a maior concentração de clusters (agrupamentos de casos), seguida do Espírito Santo, Bahia e Rio de Janeiro.



