terça-feira, março 17, 2026
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Exposição precoce a smartphones compromete o desenvolvimento emocional e social das crianças – Jornal da USP


Glauco Arbix comenta estudo realizado nos EUA, o qual revela que o aumento global do uso de smartphones e das mídias sociais gera impactos muito fortes e modifica o desenvolvimento da infância e da adolescência

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Nesta edição de sua coluna, o professor Glauco Arbix trata de uma nova pesquisa, desenvolvida nos Estados Unidos, pesquisa essa que descreveu o impacto dos celulares na vida das crianças e adolescentes. Segundo Arbix, o resultado não foi bonito, foi chocante, pois o aumento global do uso de smartphones, de celulares inteligentes e das mídias sociais gera impactos muito fortes e modifica o desenvolvimento da infância e da adolescência a partir de ambientes digitais criados por algoritmos, que chegam a alterar de modo crescente o perfil e o comportamento de segmentos inteiros da juventude. O estudo mostrou que crianças que fazem uso de smartphones antes dos 13 anos têm maior probabilidade de sofrer graves problemas de saúde mental à medida que entra no início da vida adulta. Foram monitorados mais de 100 mil jovens de 18 a 24 anos, que fazem parte da chamada geração Z, a qual cresceu em convívio estreito com os mais diferentes smartphones.

“Muitos desses sistemas exploram dados de comportamento e vulnerabilidades psicológicas e ainda têm o potencial de restringir a autonomia das crianças, diminuir sua capacidade de tomar decisões; o ponto central é que os ambientes digitais, acessados praticamente sem supervisão, remodelam a própria natureza das crianças e colocam questões fundamentais sobre seu impacto na mente humana.” O pior é que uma das conclusões do estudo diz que, quanto mais cedo as crianças foram possuidoras de um smartphone, mais grave serão as consequências. “Houve diminuição de autoimagem, autoestima, da resiliência emocional, assim como da estabilidade, da agressividade, da empatia […] as previsões apontam para sociedades marcadas por maior agressividade entre a população, para o incremento de pensamentos suicidas, sentimentos de distanciamento, diminuição de autoestima e do controle emocional – e elas atingem, para além do domínio psicológico, a esfera educacional e mesmo o aproveitamento de oportunidades do mundo do trabalho. “Segundo os pesquisadores”, enfatiza Arbix, “a atuação do setor público é fundamental para limitar o acesso das crianças menores de 13 anos a smartphones e para a definição de regras mais rigorosas que orientem o ambiente digital ao qual os jovens estão expostos. É um problema que não é resolvido e não pode ser resolvido por cada família, mas exige exatamente o concurso do setor público, porque é um problema de saúde pública”.


Observatório da Inovação
A coluna Observatório da Inovação, com o professor Glauco Arbix, vai ao ar quinzenalmente, terça-feira às 8h, na Rádio USP (São Paulo 93,7; Ribeirão Preto 107,9) e também no Youtube, com produção da Rádio USP, Jornal da USP e TV USP.

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