segunda-feira, maio 18, 2026
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Mostra na Biblioteca Brasiliana levanta bandeira pró-conservação ambiental – Jornal da USP


Artmosfera expressa essa política. A artista Lúcia Rosa, por exemplo, expõe na mostra a obra Silêncios Tecidos, formada por um totem com três rostos feitos de tecido, moldados a partir de máscaras. A obra usa fios orgânicos emaranhados com cipó e sisal, para sustentar as feições e formar um objeto longo. Entre as figuras, espalham-se pedaços da planta insulina. “Essa planta é muito resistente. Você pensa que a planta secou, mas dali a uma semana ela está verde de novo”, explica Rosa. A mensagem transmitida é de esperança pela resiliência da natureza e de tributo à memória e à ancestralidade daquilo que permanece, mas também é um aviso. O rosto humano entrelaçado à matéria natural visa a advertir sobre a presença do homem no ecossistema e como a humanidade sofrerá as consequências das agressões ao ambiente.

Outra obra exposta em Artmosfera é a tela Conectando Micelios, da artista chilena Karolina Mättig, que também aborda a coexistência entre homem e natureza. Com técnica mista, essa pintura retrata a camada exterior e a interior de uma floresta. As raízes de uma das árvores simulam o corpo humano. Delas se forma a figura de um braço, que dá origem ao tronco, unido às radículas das demais plantas. Nas laterais dessa pintura, dois quadros, intitulados Brotes – também de autoria de Mättig -, expõem árvores mortas, com raízes fracas, e, atrás delas, notícias de jornais anunciando os incêndios florestais ocorridos na região de La Araucanía, no Chile.

Há obras também que representam mais uma crítica do que uma advertência. A escultura em material reciclado O Grande Banquete, de Edson Verti, é feita de uma caixa de papelão colorida, sobre a qual se vê uma cabeça feita do mesmo material, em que estão escritas frases como “O futuro é reciclável. Pena que seu comportamento não é”, “Onde está seu plástico? No copo de água que você chama de potável”, “Proteção à natureza” e “Futuro verde”. Da boca da cabeça são regurgitadas garrafas plásticas, que chegam a se espalhar pelo chão. A contradição entre palavras pró-sustentabilidade e o plástico é uma ironia do artista, que revela uma sociedade que defende o discurso conservacionista mas continua poluindo. O objetivo é espelhar uma humanidade que se autocontamina, como explica Verti. “O que é descartado volta para a gente de uma forma ou de outra, seja no ar, seja pelos microplásticos”, diz o artista.  “A obra mastiga a consciência coletiva e cospe verdades incômodas.”



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