terça-feira, março 17, 2026
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Novas diretrizes sobre hipertensão arterial trazem mudanças relevantes – Jornal da USP


Segundo Octávio Pontes Neto, a principal mudança – mas não a única – é a recomendação de iniciar o tratamento com medicamentos de forma mais precoce

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A hipertensão é o principal fator de risco para AVC. Nas últimas semana saíram as novas diretrizes americanas sobre hipertensão arterial que trazem algumas mudanças relevantes no manejo da hipertensão. A principal mudança é a recomendação de iniciar o tratamento com medicamentos de forma mais precoce. Antes só se indicava medicação quando a pressão ultrapassava 140 mm por 90 mm Hg em pacientes sem outras comorbidades. Agora, se após três a seis meses de mudanças no estilo de vida a pressão permanecer igual ou acima de 130 por 80 mm Hg, já se considera iniciar tratamento farmacológico. Além disso, para pessoas com diabetes, doença renal crônica ou alto risco cardiovascular, a indicação é começar o tratamento imediatamente, sem esperar esse período.

Outro ponto relevante é o incentivo para que os pacientes alcancem níveis ainda mais baixos — idealmente abaixo de 120 mm por 80 mm Hg —, desde que com segurança. Isso porque evidências mais recentes mostram que um controle mais intensivo da pressão reduz não só o risco de eventos cardiovasculares, mas também o risco de demência, o que reforça a importância de agir cedo e com rigor.

Em termos de estilo de vida, o novo limite de sódio foi reduzido de 2.300 mg para 1.500 mg por dia, e o álcool deve ser evitado — não basta “economizar” durante a semana para beber mais no fim de semana. A perda de peso segue sendo uma medida poderosa de controle, e os inibidores de GLP-1 são citados como uma ferramenta útil quando bem indicados.

Além disso, o documento dedica atenção especial à hipertensão na gestação, sugerindo o uso de aspirina em baixa dose para prevenir pré-eclâmpsia e alertando que hipertensão na gravidez pode predizer hipertensão crônica no futuro. Por fim, a desnervação renal entra como uma opção a ser discutida com o paciente, embora ainda não seja formalmente recomendada. No geral, são diretrizes mais proativas, que buscam intervir mais cedo e com mais precisão.


O minuto do Cérebro
A coluna O minuto do Cérebro, com o professor Octávio Pontes Neto, vai ao ar quinzenalmente,  terça-feira às 8h30, na Rádio USP (São Paulo 93,7; Ribeirão Preto 107,9) e também no Youtube, com produção da Rádio USP,  Jornal da USP e TV USP.

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