segunda-feira, maio 18, 2026
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Em teste com animais, canabidiol mostra potencial para amenizar sintomas associados ao TEA​ – Jornal da USP


Durante a pesquisa, conduzida na FMRP e na Faculdade de Odontologia de Ribeirão Preto (Forp) da USP, foram utilizados camundongos machos e, para induzir os comportamentos e sintomas associados ao TEA, os animais foram expostos ao ácido valproico (VPA) ainda na fase embrionária, principal momento do neurodesenvolvimento. Pedrazzi aponta que “desse modo, foi possível demonstrar muitas das características estruturais e comportamentais associadas ao transtorno nos roedores, como prejuízos cognitivos, diminuição da interação social e apresentação de estereotipias”.

Para avaliar o comportamento dos animais e as reações ao tratamento com o CBD, os camundongos foram submetidos a diversos testes comportamentais relacionados a sintomas prevalentes no TEA: Teste de Inibição Pré-Pulso (PPI); Teste de Marble Burying (enterrar a bolinha); Teste de Interação Social e Teste de Reconhecimento de Objetos. 

No teste PPI, é avaliado, principalmente, o processamento de informações; isto é, a discriminação que o sistema nervoso central faz do fluxo de estímulos relevantes e não relevantes. “Um exemplo é a chegada de diversos sons simultâneos até nós, e a nossa capacidade de diferenciar o que é importante e o que não é”, destaca. Durante o teste foi verificado que a exposição ao VPA “prejudicou o processamento de informações e o CBD restabeleceu estes déficits”, acrescenta.

Outro ponto importante relacionado ao autismo são os comportamentos repetitivos e ritualísticos (compulsões), além de pensamentos intrusivos (obsessivos), sintomas de outro distúrbio: o Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC). Segundo o pesquisador, “existe uma prevalência alta do TOC em pessoas autistas, especialmente em pacientes mais jovens”.

Para avaliar esses sintomas e o tratamento com CBD, foi realizado o teste MB, ou teste de enterrar bolinha, que “se baseia na análise do comportamento de cavar bolinhas de gude, e se tal ação é afetada ou não pelo fato de a bolinha ser um objeto novo para o animal”. O pesquisador informa que, após o tratamento, “houve uma diminuição de bolinhas de gude enterradas, sugerindo o efeito tipo anticompulsivo do canabidiol”.

Outros dois testes com resultados promissores foram o teste de interação social e o teste de reconhecimento de objetos, que analisam a sociabilidade, memória e cognição. De acordo com Pedrazzi, o canabidiol melhorou a sociabilidade no teste de interação e reverteu o prejuízo cognitivo no teste de reconhecimento de objetos. Ou seja, os animais exploraram mais o objeto novo em relação ao objeto antigo. “De modo geral, o tratamento com CBD neutralizou a maioria dos prejuízos ocasionados pela exposição ao VPA no período embrionário”, finaliza.



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