quarta-feira, março 18, 2026
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Projeto baseado em IA atua na preservação da língua indígena nheengatu, no Alto Rio Negro, no Amazonas – Jornal da USP


A estatísticas de falantes do nheengatu são controversas, como descreve o professor Finbow. “No site da Ethnologue, eles citavam um estudo de 2005, sem referência, que dizia que tinha aproximadamente 19.600 falantes do nheengatu, mas esse número não é correto. Eu até cheguei a escrever para eles para saber de onde eles tinham tirado esse número, mas me responderam que o tal estudo de 2005 não constava no sistema deles”, conta.

Além disso, de acordo com o professor, as pessoas também se confundem com as estatísticas oficiais. “Por exemplo, aproximadamente 74% da população da população de São Gabriel da Cachoeira se declarou indígena no último censo, porém, isso não quer dizer que 74% da população fale nheengatu, como diz a página da Wikipédia”, compara.

Finbow estima que, no Brasil, entre 5.000 e 7.000 pessoas falem a língua. Mesmo com as comunidades em outros países vizinhos, deve ser abaixo de 10.000 falantes. “Vamos precisar aguardar a publicação completa do último censo da Funai/IGBE.”

No contexto atual, a única região do Brasil em que existe um grupo grande de falantes nativos de nheengatu é no Alto Rio Negro. Também existem comunidades de falantes na Venezuela e na Colômbia. As pessoas que falam nheengatu se consideram indígenas, porém, no passado, era comum qualificar quem falasse apenas o nheengatu (com ou sem o português) como “ribeirinhos” ou “cabolos” e usar “índio” ou “indígena” para quem falasse outros idiomas originários. “Ou seja, ocorreu uma reavaliação do estatuto do nheengatu, que voltou a ser classificado como uma língua indígena.”

Na região do Alto e do Médio Rio Negro o yẽgatu/nheengatu é falado pelos povos Baré, Baniwa, Werekena e Nadëb, além dos anciãos do povo Dâw. É uma das três línguas indígenas co-oficiais do município de São Gabriel da Cachoeira (tukano e baniwa são as outras duas, e existe um plano para incluir o yanomami).

Além do Rio Negro, também existe um pequeno grupo do povo Mawé [dos clãs Sateré e Maraguá] que são falantes de uma língua que eles chamam de “tupi”, que é uma variedade do nheengatu/língua geral que era falada na região da fronteira entre os estados do Amazonas e Pará.
— Thomas Finbow

Como linguista histórico, o professor realiza seus estudos sobre tópicos relacionados com a mudança linguística, como e por que as estruturas linguísticas se desenvolvem e evoluem. “O nheengatu é um excelente tema para esse tipo de investigação, porque é uma das poucas línguas indígenas que têm uma longa história documentada [500 anos]”, descreve.

No Projeto Yẽgatu Digital, a contribuição de Finbow é o conhecimento que ele possui da língua. “Investigo o nheengatu há quase oito anos e conheço os diferentes sistemas de escrita. Tem várias ortografias diferentes usadas pelas diferentes fases diacrônicas da língua e pelas diferentes comunidades. Portanto, ajudo a identificar as correspondências e divergências entre os diferentes sistemas, para que eles possam aproveitar materiais escritos de diferentes maneiras”, diz o pesquisador.



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