quarta-feira, março 18, 2026
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Integrar lavoura, pecuária e floresta é opção para reduzir emissões de CO2 – Jornal da USP


No sistema integrado pecuária-floresta, cada componente contribui mais para uma forma de carbono do que outro. Enquanto o componente florestal tende a contribuir mais para o particulado, o componente da pastagem influencia mais o associado a minerais. Como a maior parte está na forma associada a minerais, o manejo das pastagens dentro desses sistemas tem um papel central no armazenamento no solo.

“Para que as árvores contribuíssem mais, seria necessário aumentar a quantidade e a diversidade das espécies arbóreas. Vimos, ainda, que os solos dos sistemas integrados pecuária-floresta podem estocar tanto carbono quanto os das pastagens permanentes, desde que sejam realizadas a reposição de nutrientes e o controle da intensidade de pastejo”, explica a agrônoma.

Por outro lado, explica a agrônoma, “práticas como aração e gradagem do solo, durante a implantação desses sistemas, podem retardar sua recuperação”.

Além dos sistemas integrados pecuária-floresta, também foram avaliados sistemas integrados lavoura-pecuária (ILP) em duas situações onde estavam presentes. Em ambas, os sistemas ILP diminuíram o carbono do solo, ao contrário dos sistemas integrados pecuária-floresta.

Para entender o que estava por trás dessa diferença, foi analisada a comunidade de microrganismos e a caracterização química de grupos funcionais das formas de carbono do solo. “Usamos diversas ferramentas, como a quantificação da biomassa microbiana, atividade enzimática e sequenciamento de DNA, e confirmamos que o manejo da fertilidade do solo e do pastejo são fundamentais para garantir o armazenamento nas pastagens permanentes e integradas com árvores ou cultivos”, ressalta Rosemery dos Santos.

Em um dos locais de estudo, o sistema integrado pecuária-floresta apresentou perda de carbono do solo. Porém nesse sistema, a composição química do elemento associado a minerais ainda era semelhante ao da pastagem permanente, mesmo com menor quantidade nessa fração. O fato confirmou que a perda estava ligada à queda da produtividade da pastagem com a degradação. A baixa atividade enzimática, abundância de microrganismos, fertilidade do solo e carbono particulado, reforçaram o diagnóstico de perda associada à degradação do componente pastagem do sistema integrado pecuária-floresta.

Já nos sistemas integrados lavoura-pecuária, a situação foi diferente. Neles, foi encontrada uma comunidade microbiana mais ativa e mais diversa, mesmo com a perda de carbono. A entrada de resíduos de diversas culturas, somada à adubação das culturas de grãos, e à maior produtividade das pastagens e ao pastejo mais intenso, gerou uma situação de menor disponibilidade de nitrogênio para os microrganismos. Sem nitrogênio suficiente, os microrganismos foram buscar esse nutriente nas formas orgânicas que já estavam no solo, o que resultou nessa perda.

“Nosso estudo mostrou que as pastagens podem ser aliadas importantes no enfrentamento da crise climática, tanto em sistemas simples quanto integradas com árvores, desde que a degradação dessas áreas seja evitada. Já nos sistemas que alternam o cultivo de grãos com o uso da terra para o gado, é necessário um cuidado principalmente com a intensidade de pastejo”, salienta a agrônoma. “Além disso, será essencial buscar estratégias para suplementar o nitrogênio sem custo adicional para o produtor. Uma possibilidade promissora é o consórcio de gramíneas e leguminosas forrageiras”.



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