quarta-feira, março 18, 2026
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Um continente na copa das árvores amazônicas – Jornal da USP


Essa é outra pergunta muito central. Às vezes, falamos em “descobrir” a biodiversidade. As nações originárias têm um conhecimento enorme da biodiversidade. Elas vivem neste continente há milhares de anos, e têm um profundo conhecimento das plantas e dos animais. A ignorância, de fato, é nossa. O que fazemos é organizar nosso conhecimento “novo” de outra maneira.

No Brasil, fala-se mais de 200 idiomas, mesmo depois de cinco séculos de massacre. Em cada um há nomes para elementos da fauna, inclusive de insetos, e conhecimento detalhado da biologia. Parte desses nomes já foram apropriados pela língua portuguesa. Uruçu ou iruçu é o nome genérico para as abelhas sem ferrão maiores (como espécies de Melipona ou Schwarziana); há nomes para outras espécies de abelha, como yataí (jataí, Tetragonisca); para vespas, como cawa, que se aplicam a várias espécies, cada uma com seu próprio nome; nomes para moscas como mberu ou meru e para borboletas como panapanã.

Não há preservação da floresta sem preservação das nações originárias. E não há preservação de uma nação, sem a preservação de seu idioma — o silenciamento dos povos sempre foi através do silenciamento de sua língua. Alguns destes idiomas já têm dicionários e vocabulários disponíveis, que são uma janela para o conhecimento da biodiversidade das nações que vivem, conhecem e preservam a floresta há milhares de anos.



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