sábado, maio 16, 2026
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“Balada de amor ao vento” destaca o protagonismo feminino na busca por liberdade – Jornal da USP


Para proteger sua vida e a do filho, Sarnau foge com Mwando para a ilha de Bazaruto, abandonando suas outras filhas com Ninguila. A vida na ilha é difícil, e Mwando, mais uma vez, abandona Sarnau, agora grávida novamente, após ser perseguido e, eventualmente, deportado para Angola por se envolver com uma mulher casada.

Anos depois, Mwando, já livre e bem-sucedido, retorna a Moçambique e finalmente reencontra Sarnau em Mafalala. Ele tenta reconquistá-la, revelando-se aos filhos dela (incluindo uma filha, fruto do segundo relacionamento entre os dois) e se colocando como pai das filhas que Sarnau criou praticamente sozinha. 

“A ideia que passa ao leitor é que Sarnau aceita Mwando de volta, mas não é simplesmente isso que acontece”, esclarece a professora Stela. “Mwando vence o contrato social que é imposto a essa mulher que precisa de um amparo. Então ela aceita o Mwando de volta porque ele se coloca como pai dos filhos e ela precisa daquele auxílio para poder criá-los. Então não é um retorno ao amor, mas um retorno a uma sociedade que coloca as mães e as mulheres em uma situação de extrema vulnerabilidade social. ” 

Entre idas e vindas, a trama principal do livro pode ser considerada a imbricação entre os conflitos culturais e a opressão vivida pelas mulheres moçambicanas em meio a disputas ideológicas, culturais e políticas. “Essa, aliás, pode ser considerada o grande mote do projeto literário de Paulina Chiziane, tema sobre o qual outras de suas obras abordam posteriormente”.



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