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Colóquio discute como a educação pode ser parceira de outras políticas públicas – Jornal da USP


Primeiro encontro apresentou experiência de sucesso que uniu educação e cuidado em Almirante Tamandaré (PR) durante a pandemia

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Mulher negra, usando óculos e blusa vermelha está sentada ao lado de um homem branco, com cabelos e barba grisalhos, usando óculos. Ambos fazem exposição em evento na FE USP
Primeiro encontro do Colóquio de Educação e Intersetorialidades contou com representantes da cidade de Almirante Tamandaré, no Paraná – Foto: Reprodução/YouTube

“A gente acredita que garantir direitos para a criançada pode mudar vidas”, foi uma das falas de Jucie Parreira, ex-secretário de Educação de Almirante Tamandaré, no Paraná, durante o primeiro encontro do 1º Colóquio de Educação e Intersetorialidades promovido pela Faculdade de Educação (FE) da USP. O debate, que aconteceu no dia 20 de agosto, teve o tema focado na intersetorialidade como instrumento do ensino e na mobilização social.

Mulher branca, cabelos louros compridos, segura um cartaz do projeto Casa Sementeira
Projeto Casas Sementeiras, de 2020, foi criado para combater a evasão escolar – Foto: Secretaria de Educação de Almirante Tamandaré

Jucie trouxe para a discussão o sistema implementado na cidade paranaense, que fica a menos de 20 quilômetros (km) de Curitiba. Em 2023, o município, com aproximadamente 120 mil habitantes, foi classificado pelo 17º Anuário Brasileiro de Segurança Pública como um dos 50 mais perigosos do Brasil.

Na contramão dos dados, Jucie quis romper com o ciclo de se perder iniciativas sociais a cada nova gestão. Para isso, a secretária começou a construção de um ambiente que ouvisse os anseios dos moradores, especialmente das crianças. Através desse processo de diálogo foi possível integrar a escola e a comunidade, transformando a educação em um pilar da mobilização comunitária.

O evento conta com uma programação de debates que acontecem todas as quarta-feiras, até 17 de setembro. O Colóquio foi idealizado a partir de um encontro promovido pelo Ministério da Educação (MEC), ocorrido no mês de maio, onde foram abordadas experiências intersetoriais bem sucedidas de diferentes estados e cidades do Brasil. Cada um dos dias será focado nas histórias de iniciativas que, ao unirem educação com outras políticas públicas, como combate a desigualdade e a violência, promoveram mudanças sociais significativas em territórios com vulnerabilidade social.

O primeiro encontro do colóquio teve dois momentos. A primeira mesa contou com a presença dos professores Sônia Kruppan, da FE, e Marco Akerman, da Faculdade de Saúde Pública (FSP) da USP, além da coordenadora geral de Articulação Intersetorial do MEC, Gesuína Leclerc. Ela integra a equipe da Secretaria de Articulação Intersetorial e com os Sistemas de Ensino (Sase) do MEC. O Sase havia sido extinto em 2019 durante o governo Bolsonaro, mas foi recriado após o decreto nº 11.342 de 2023, assinado pelo presidente Lula.

A conversa abordou o caminho que o MEC tem seguido para reconstruir a intersetorialidade no cenário nacional e as dificuldades encontradas ao longo do caminho. Entre as ações tomadas pelo órgão está mapear esses projetos intersetoriais e criar um levantamento do trabalho realizado por eles. Para Marco, é importante entender que “a intersetorialidade não vai matar as responsabilidades setoriais” e sim discutir um problema comum.

Mulher branca, usando máscara vermelha e homem branco, seguram uma bandeira verde alusiva a projeto comunitário
Em Almirante Tamandaré, cidadãos participam das pautas em seus territórios – Foto: Secretaria de Educação de Almirante Tamandaré

Modelo comunitário

O sistema intersetorial de Almirante Tamandaré, que começou a ser desenvolvido em 2017, permite que os cidadãos participem mais ativamente das pautas em seus territórios. Por isso, durante a reformulação do currículo de ensino, houve uma necessidade de também incluir a população, inclusive as crianças, na discussão. Esse diálogo resultou em “um currículo totalmente feito pela nossa comunidade”, afirmou Jucie.

Essa participação integrativa garante que o estado aja através dos habitantes, que estão naturalmente mais inseridos nos contextos da comunidade. Pensando nisso, em 2020, durante a pandemia, com o objetivo de impedir a evasão escolar e garantir a proteção de famílias vulneráveis, houve a criação das Casas Sementeiras. Nesse programa, cada morador de forma voluntária cuidava de 10 a 15 casas, assumindo um papel parecido com o que as escolas desempenhavam antes da quarentena. As casas receberam placas e bandeiras que sinalizavam sua função.

*Estagiária sob a supervisão de Silvana Salles



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