Nova edição da “Esalq Sempre” fala sobre a jornada acadêmica do bonde, que ligava a Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz da USP ao centro de Piracicaba

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O bondinho da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq) da USP, como é carinhosamente conhecido, fez parte do cenário do campus por mais de 53 anos. Até hoje, permanece vivo na memória daqueles que nele viajaram, despertando a curiosidade de novas gerações que buscam compreender como um meio de transporte tão peculiar ligava a escola ao centro de Piracicaba. Os registros dispersos em variadas fontes e locais físicos da Esalq estão reunidos no Projeto Esalq Sempre, em publicações que descrevem os marcos históricos da instituição como forma de preservar sua trajetória institucional.
Em setembro, o projeto está lançando mais um número da publicação, que nesta oitava edição tem como tema A Jornada Acadêmica do Bonde, disponível neste link, abordando como sua chegada representou uma inovação tecnológica e social para Piracicaba, ao modernizar o transporte urbano, reduzir significativamente o tempo de deslocamento e integrar a área central da cidade à instituição de ensino. Até então, os deslocamentos até a escola eram feitos a pé ou por veículos de tração animal.
A primeira linha de bonde foi inaugurada em 15 de janeiro de 1916, conectando a antiga Praça da Catedral (atual Praça José Bonifácio) ao campus da Esalq. O trajeto percorria as ruas XV de Novembro, José Pinto de Almeida, Marechal Deodoro e a Avenida São João, chegando ao campus, ponto final chamado de Agronomia. O sistema atendia funcionários, moradores e especialmente os estudantes da Esalq, que corriam para embarcar ao sinal do cobrador tocando a campainha.
O serviço de bondes foi encerrado em 3 de outubro de 1969, na mesma linha que havia inaugurado o sistema décadas antes. Foi então que a Associação de Ex-Alunos da Esalq (Adealq), com apoio da diretoria da Esalq, formalizou um pedido, junto à prefeitura de Piracicaba, da cessão do bonde e do reboque. A solicitação foi atendida por meio da Lei Municipal nº 1.731, de 11 de dezembro de 1969, permitindo que esses veículos fossem colocados em exposição no campus da USP.

A nova edição
O primeiro capítulo conta a história do bonde no Brasil, que começa em 1856, quando o governo imperial concedeu a um médico inglês, Thomas Cochrane, sogro do escritor José de Alencar, a autorização para implantar a primeira ferrovia urbana do País na cidade do Rio de Janeiro. Para viabilizar o projeto, Cochrane fundou a Companhia de Carris de Ferro da Cidade à Boa-Vista na Tijuca, marcando o início da era dos bondes no Brasil. A primeira linha, com tração animal, entrou em operação em 1859, ligando o Rocio, atual Praça Tiradentes, ao bairro da Tijuca, com uma extensão de aproximadamente sete quilômetros.
Já a primeira linha de bondes elétricos da América do Sul foi inaugurada no Brasil em 8 de outubro de 1892, também no Rio de Janeiro, pela Companhia Ferro Carril do Jardim Botânico, como está descrito no segundo capítulo, “Da Tração Animal ao Bonde Elétrico”. A linha ligava a curva do antigo Teatro Lírico ao Largo do Machado e contou com a presença do então vice-presidente da República em exercício da presidência, Marechal Floriano Peixoto (1839–1895), entre outros convidados ilustres.
O volume ainda apresenta outros três capítulos: “A Implantação dos Bondes Elétricos em Piracicaba e a Ligação com a Esalq”, “Depoimentos: Memórias Afetivas” e “O Futuro do Bondinho Histórico da Esalq/USP”, que compreende a preservação como meio de conectar o passado ao futuro. Com um projeto de restauro do bonde e seu reboque, aprovado neste ano pela Lei de Incentivo à Cultura – Lei Rouanet, tem como objetivo integrar o patrimônio cultural às atividades de ensino, pesquisa e extensão, tornando-o também objeto de estudo, reflexão e valorização pela sociedade.

A publicação
A Esalq Sempre é a publicação oficial da Esalq dedicada a preservar e celebrar a rica trajetória da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz. Lançada em junho de 2023, para marcar os 122 anos da Esalq, ela nasceu com a missão de resgatar, organizar e disponibilizar os registros históricos e símbolos que compõem a memória da instituição. O objetivo é garantir que o legado da Esalq seja acessível a todos, tornando públicos valiosos documentos, fotos e histórias que hoje se encontram dispersos em diferentes pontos do campus, com destaque para o Museu Luiz de Queiroz.
Disponível tanto na versão impressa quanto na digital, é uma publicação quadrimestral, e seu conteúdo é elaborado e revisado por uma rede de colaboradores. A revista conta ainda com apoio de docentes, funcionários, estudantes, ex-alunos e demais apoiadores da Esalq, que contribuem com seus conhecimentos e experiências.
Para ler a revista Esalq Sempre – A Jornada Acadêmica do Bonde acesse este link.
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*Com informações de Alicia Nascimento Aguiar, da Assessoria de Imprensa da Esalq-USP



