A Congada de São Benedito de Cunha, da guarda Moçambique, é diferente. Primeiro, porque é devota ao Santo Benedito. Segundo, por conta do mito que a rege. William conta que “em geral, São Benedito está associado a um personagem italiano, de acordo com a tradição católica, que roubava comida dos senhores para alimentar os escravizados”. Mas, em Cunha, se diz que o santo organizou uma Congada para salvar Jesus de pessoas que haviam roubado ele de seus pais.
Corina e os pesquisadores da USP falam da natureza cíclica dos Reinados, Congados e Congadas. As festas chamam turistas e fotógrafos às cidades, mas o impacto delas nas comunidades onde acontecem dura mais do que apenas os dias de cortejo. E suas origens negras e de valorização de classes sociais mais baixas seguem nas histórias dos festeiros há mais de 300 anos.
“Por isso é que nós bate o Candome, brincano, igual desafio. Porque o branco desafia o nego e parece que ele ganha. Mas ganha é cá os nego véio.”
Mestre Geraldo Arthur Camilo, da Irmandade de Nossa Senhora dos Arturos, em Minas Gerais. Trecho retirado do livro Ouro Preto da palavra : narrativas de preceito do congado em Minas Gerais, de Edmilson Pereira e Núbia Gomes
*Estagiária sob orientação de Silvana Salles
**Estagiário sob orientação de Moisés Dorado


