domingo, maio 17, 2026
HomeConsumo conscienteCasal absolvido após dois anos presos por morte do filho bebê no...

Casal absolvido após dois anos presos por morte do filho bebê no RS


Caso aconteceu em Passo Fundo, no Rio Grande do Sul

29 ago
2025
– 22h52

(atualizado às 23h23)




Na esquerda, Tatiele Goulart Guimarães com o filho Arthur Goulart dos Santos no colo, após completar um mês. À direita, foto do pai do bebê, Luan dos Santos

Na esquerda, Tatiele Goulart Guimarães com o filho Arthur Goulart dos Santos no colo, após completar um mês. À direita, foto do pai do bebê, Luan dos Santos

Foto: Reprodução/RBS TV

Após passar mais de dois anos preso, um casal acusado de matar o próprio filho — um bebê com menos de dois meses de vida — foi considerado inocente pela Justiça do Rio Grande do Sul. Os réus, Luan dos Santos e Tatiele Goulart Guimarães, foram absolvidos e libertados. A decisão foi confirmada ao Terra nesta sexta-feira, 29.

O bebê Arthur Goulart dos Santos, filho de Luan e Tatiele, sofreu um engasgo em maio de 2023 e acabou morrendo por complicações pouco depois, em junho do mesmo ano. 

Ao jornal Zero Hora, o pai explicou que na ocasião houve demora no atendimento do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu). Para tentar reanimar o filho, que ficou “molinho” e não estava conseguindo respirar, ele diz ter feito respiração boca a boca e ter dado “tapinhas” em suas costas. Não deu certo, e seguiram no aguardo do Samu. O menino teve uma parada cardiorrespiratória, chegou a ser reanimado e foi levado a um hospital. Lá ele foi internado e acabou não resistindo.

O bebê estava com lesões, o que levantou suspeitas de agressões, fazendo com que os pais fossem denunciados ao Conselho Tutelar pelo hospital. A Polícia Civil abriu uma investigação e, com o desenvolvimento do caso, o Ministério Público pediu a prisão preventiva do casal, acusado por homicídio qualificado. Agora, dois anos depois, eles foram julgados e a Justiça acolheu a argumentação da defesa.

No julgamento, conforme o Terra teve acesso, as defesas explicaram que o bebê tinha um histórico de complicações, tendo aspirado líquido amniótico durante o parto e sido submetido a procedimentos médicos. Além disso, no dia em que o bebê engasgou, foi traçada a linha do tempo do que os pais fizeram, mostrando o empenho em tentar salvar o filho.

Também foram expostos depoimentos que alegavam que o bebê permaneceu aguardando por um leito por onze horas após ter chegado no hospital em parada cardiorespiratória. Além disso, a defesa reforçou que o casal não praticou nenhuma conduta lesiva contra a criança e destacou que, no momento da morte do bebê, eles enfrentaram uma “situação desesperadora”, conforme relatado por uma psicóloga.

“Com fulcro no artigo 386, parágrafo único, incisos I e II, do Código de Processo Penal, revogo quaisquer medidas constritivas porventura existentes em face dos acusados, atinentes ao processo supra. Expeça-se alvará de soltura dos denunciados, se por outro motivo não estiverem presos”, declarou a sentença.

Ao Terra, o Ministério Público do Rio Grande do Sul afirmou ter pedido pela desclassificação para homicídio culposo, em função de não ter verificado a intenção de matar. “Os jurados acolheram a tese defensiva e absolveram os réus. O MP não vai recorrer.”



Fonte