quarta-feira, março 18, 2026
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Vacinas e antivirais contra arboviroses esbarram em falta de investimentos e estudos – Jornal da USP


Barreiras no desenvolvimento comprometem combate a doenças como dengue, oropouche, febre amarela, zika e chikungunya

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Apesar dos avanços, a produção de imunizantes e medicamentos contra doenças como dengue, zika e chikungunya ainda enfrenta desafios – Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil
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A produção de vacinas e antivirais contra arboviroses ainda enfrenta obstáculos que travam o desenvolvimento desses recursos e comprometem o combate a doenças transmitidas por mosquitos e carrapatos, como dengue, oropouche, febre amarela, zika e chikungunya. Especialistas apontam que a falta de investimento, a escassez de formulações em fase de desenvolvimento para testes e a necessidade de mais estudos sobre a biologia dos vírus estão entre as principais barreiras.

Atualmente, para cuidar de pessoas acometidas por essas doenças, a abordagem clínica se baseia apenas no alívio dos sintomas, com uso de paracetamol ou dipirona, o que mantém a alta incidência de casos e torna o cenário preocupante. Vacinas contra algumas arboviroses existem, como a Qdenga e a Dengvaxia, contra a dengue, e a vacina contra a febre amarela, disponíveis na rede pública. No entanto, o avanço na produção de novos imunizantes e medicamentos antivirais é essencial para reduzir ou impedir a replicação dos vírus no organismo.

Homem branco, cabelos cacheados com óculos sorrindo na foto
Rafael Elias Marques – Fato: Arquivo pessoal

A solução para conter as arboviroses endêmicas no Brasil passa por investimentos no desenvolvimento de vacinas e antivirais. Há doenças que podem ser mitigadas com imunização, mas também há arboviroses negligenciadas e de baixa ocorrência, para as quais uma vacina não seria a alternativa mais viável. “Vacinas são essenciais para prevenir infecções graves. Em casos de arboviroses menos frequentes, como o oropouche, torna-se mais viável o uso de antivirais”, afirma Rafael Elias Marques, pesquisador do Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM).

Desafios no combate às arboviroses

Segundo o pesquisador, a grande dificuldade para elaboração de vacinas e medicamentos antivirais está no estudo da patogênese do vírus. “Hoje a principal barreira começa com o conhecimento básico. A maioria das doenças arbovirais é pouco estudada, no sentido de não conhecer a biologia do vírus e qual impacto a doença causará na população”, diz.

Marques afirma que a falta de investimentos em pesquisa contribui para o negligenciamento dessas doenças. “Arboviroses são negligenciadas em vários pontos, desde o aspecto acadêmico até o monitoramento das doenças pelo poder público.” Outro fator, relata o biólogo, é o número reduzido de formulações candidatas a vacinas ou antivirais em desenvolvimento para chegar aos estudos clínicos, aliado ao desconhecimento da população brasileira sobre infecções virais que a afetam.

Além disso, o pesquisador destaca que para facilitar a descoberta de um antiviral eficiente é preciso muita tecnologia e esforço para encontrar uma molécula capaz de combater o vírus. “Em um estudo de compostos antivirais que realizamos, utilizamos mais de 7 mil compostos e achamos somente um composto potente com atividade antiviral para continuar a pesquisa”, explica.

Ainda de acordo com o professor, alguns compostos antivirais estão em fase de teste e não há previsão de quando o medicamento será liberado. Ele afirma que a resposta para o enfrentamento de casos é focar na produção de vacinas para arboviroses mais comuns e no desenvolvimento de antivirais para as menos frequentes, com empenho de aplicação financeira de instituições governamentais.

Impactos na qualidade de vida

Homem branco, cabelos brancos, utilizando óculos com um leve sorriso no canto da boca
Benedito Antônio Lopes da Fonseca – Foto: Arquivo pessoal

Para o professor Benedito Antônio Lopes da Fonseca, especialista em Moléstias Infecciosas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP) da USP, ao contrair doenças virais a complicação se dá na evolução do vírus. “No caso da dengue, a doença acomete múltiplos órgãos, incluindo disfunção do fígado, perda da capacidade de filtração dos rins e distúrbios de coagulação sanguínea.”

Fonseca ressalta que a gravidade dessas moléstias afeta a qualidade de vida das pessoas acometidas. “Os sintomas da doença resultam em restrições de atividades físicas e da vida diária, levando o indivíduo ao sofrimento psicológico com manifestações de depressão, ansiedade e variações de humor.”

Para reduzir o aumento de casos de doenças arbovirais, Fonseca aponta a adesão à imunização em regiões com alto risco. “A vacinação pode reduzir a incidência da dengue sintomática e grave, reduzindo o número de hospitalizações em cenários de alta transmissão.”

*Estagiária sob supervisão de Ferraz Junior e Rose Talamone


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