quarta-feira, março 18, 2026
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Indústria brasileira de terras raras tem potencial para crescer – Jornal da USP


De acordo com Glauco Arbix, vai dar trabalho, mas é possível estruturar uma política nacional específica para mineração

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“O Brasil precisa se preparar rapidamente para a batalha das terras raras, mais necessárias do que nunca para a produção de automóveis, semicondutores, baterias, para indústria de defesa, para os eletrodomésticos, para mísseis, energia nuclear e até equipamentos na área de saúde”, afirma o professor Glauco Arbix no início de sua coluna, para, em seguida, acrescentar que as chamadas terras raras entraram em uma zona de turbulência a partir das tensões entre Estados Unidos e China. Depois de explicar o que são as terras raras e por que tornaram-se essenciais para “todas as
as tecnologias que impulsionam a transição energética”, o colunista aborda as dificuldades encontradas para a extração – que agride o ambiente – desses minerais, que exige investimento
em tecnologias sofisticadas e que tem na China “um quase monopólio global, com capacidade de definir preços e asfixiar novos entrantes no mercado, como o Brasil, por exemplo”.  As reservas de terras raras brasileiras estão entre as maiores do mundo. O País possui a segunda maior reserva mundial de terras raras, com 23% do total descoberto, atrás apenas da China – no entanto, a produção brasileira representa apenas 1% da produção global.

Os desafios são enormes, enfatiza Arbix. “O Brasil não conta com uma cadeia produtiva estruturada, que vai da mineração até a comercialização, e a regulamentação brasileira, que concede o licenciamento para as empresas explorarem os recursos naturais, é fragmentada e cheia de obstáculos, significa que demora muito anos para que uma licença acabe saindo. O Brasil não domina, além disso, as tecnologias para processar esses minerais, que é a fase que acrescenta maior valor a essas chamadas terras raras. E o Brasil também não tem empresas e, evidentemente, ele precisa contar com essas tecnologias para evitar desastres ambientais.”

Ainda assim, se tiver estratégia e investimentos corretos, Arbix não tem dúvidas em afirmar que a indústria brasileira de terras raras tem potencial para um crescimento significativo nos próximos anos. “Vai dar trabalho, mas é possível estruturar uma política nacional específica para mineração. Segundo, o Brasil pode avançar com maior velocidade no seu arcabouço regulatório.
Terceiro, o Brasil pode investir em pesquisa para se preparar para liderar o desenvolvimento de tecnologias de processamento de terras raras de última geração. É a chance do País aproveitar nossas riquezas e evitar aquilo que se chama maldição dos recursos naturais, em que as riquezas de um país não consegue fazer a economia avançar nem a vida da população melhorar.
É só olhar a história do petróleo para a gente perceber o que pode acontecer com muitos países que têm reservas e não conseguiram avançar.”


Observatório da Inovação
A coluna Observatório da Inovação, com o professor Glauco Arbix, vai ao ar quinzenalmente, terça-feira às 8h, na Rádio USP (São Paulo 93,7; Ribeirão Preto 107,9) e também no Youtube, com produção da Rádio USP, Jornal da USP e TV USP.

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