quarta-feira, março 18, 2026
HomeSaúde física e emocionalTerremoto, superluas e chumbo que vira ouro são destaques de boletim de...

Terremoto, superluas e chumbo que vira ouro são destaques de boletim de astronomia – Jornal da USP


Disponível para download gratuito, o boletim “Dia e Noite com as Estrelas” busca divulgar questões da ciência com linguagem fácil e didática

Imagem da lua no céu com nuvens
Lua gigante é um dos temas abordados no boletim Dia e Noite com as Estrelas – Foto: Jordan Salkin/Nasa/GRC

.
“Na manhã de 30 de julho de 2025, o chão tremeu com força extraordinária no extremo leste da Rússia. Um terremoto de magnitude 8,8 na escala Richter sacudiu a Península de Kamchatka e acionou alertas de tsunami em todo o Pacífico. O evento foi sentido a milhares de quilômetros, mas sua origem estava muito abaixo da superfície, em uma zona onde duas placas litosféricas se encontram em um confronto constante”, trecho do artigo
O Dia em que o Pacífico Tremeu, de Sora Satie Faria Nishimi, do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas (IAG) da USP, que abre a edição de agosto do boletim Dia e Noite com as Estrelas (número 8, ano 6). Segundo a autora, “o terremoto de Kamchatka reforça que, sob a superfície aparentemente estável dos oceanos, há um planeta em constante movimento. A publicação está disponível para download gratuito neste link.  

Mais surpreendente é transmutar metais comuns como o chumbo em ouro, que sempre foi o grande sonho de muitos alquimistas medievais, como conta Veronica Aparecida, do Instituto de Física (IF) da USP, no artigo Cern Transforma Chumbo em Ouro. “(…) hoje foi possível transmutar chumbo em ouro no grande colisor de partículas, LHC (Large Hadron Collider), por meio da colaboração Alice (A Large Ion Collider Experiment) no Cern (Conseil Européen pour la Recherche Nucléaire), localizado na Suíça. A estratégia consiste em acelerar núcleos de chumbo a velocidades extremamente altas, muito perto da velocidade da luz, que no vácuo é de 300 mil km/s aproximadamente (até 99,999993% da velocidade da luz)”, explica a autora.

Segundo ela, esses núcleos de chumbo passam extremamente próximos uns dos outros sem ocorrer colisões, e mesmo assim interagem eletromagneticamente a ponto de expelirem três prótons de seus núcleos, a quantidade necessária para se transformarem em núcleo de ouro. “Isso significa, que por uma fração ínfima de segundos, os núcleos de chumbo viraram núcleos de ouro. No entanto, não significa que foi possível criar uma quantidade de ouro capaz de tornar alguém rico ou sequer para fazer um anel. A quantidade de ouro criada no LHC foi muito pequena. Foram criados 86 bilhões de núcleos de ouro entre 2015 e 2018, isso em massa são apenas 29 trilionésimos de grama”, destaca. 

Capa e páginas da publicação que tem download gratuito – Foto: DNCE/IAG-USP

.
Entendendo a superlua

Outro destaque da edição são as superluas. No artigo A Lua Gigante Vai Causar Maremotos?, Camila Sales, da Escola de Comunicações e Artes (ECA) da USP, conta que esse fenômeno, cientificamente, se chama “lua cheia de perigeu”, que acontece quando a lua cheia ocorre no perigeu, momento em que o astro, na sua órbita elíptica, está passando o mais próximo da Terra possível (por volta de 360 mil km). “O termo em si foi cunhado pelo astrólogo estadunidense Richard Nolle em 1979, o qual alegava, no seu livro, que o fenômeno tem o ‘poder’ de causar desastres naturais extremos, como tsunamis, terremotos, ciclones etc. Entretanto, não há embasamento científico nessas alegações. O que de fato ocorre é que a atração gravitacional que a Lua exerce sobre a Terra fica um pouco maior, devido à proximidade, fazendo com que as marés se intensifiquem. Isso pode causar, no máximo, alguns alagamentos no litoral. Portanto, não há motivo para pânico”, diz. 

A pesquisadora conta que a superlua ocorre a cada 14 ciclos lunares (em média 411,8 dias). “Na prática, porém, ainda é possível observá-la nessa configuração especial um mês antes e um mês depois, quando ainda teremos lua cheia muito próxima da passagem pelo perigeu. Isso nos dá a chance de ver uma superlua em três meses seguidos. E nada melhor do que apreciar uma lua cheia especial a olho nu, já que ela pode aparecer até 14% maior e 30% mais brilhante do que as luas cheias normais. E para quem ficou com vontade de ver (e fotografar) uma superlua, ela dá boas notícias: segundo o calendário da Nasa, este ano ela ocorre em 5 de novembro, mas a Lua também aparece maior do que o normal em 7 de outubro e 4 de dezembro. 

Também são celebradas as estrelas na Bandeira Nacional, refletindo sobre como o céu está gravado em nossa identidade em texto de Luiza Correa, do IAG. Por fim, uma importante reflexão sobre o ensino da astronomia e a importância de espaços não formais no artigo Entre Giz e Telescópios, por Daniel Valinhos, do Instituto de Física (IF) da USP.

O boletim Dia e Noite com as Estrelas é mensal e gratuito. Confira a última edição do boletim neste link.

Acesse as edições anteriores clicando aqui. Caso queira recebê-lo diretamente, inscreva-se na lista de transmissão. Mais informações pelo e-mail: contatodncestrelas@gmail.com.



Fonte

Mais populares

- Anúncio-
Google search engine