Evento reuniu participantes do órgão desde a sua criação e discutiu perspectivas e desafios futuros da governança universitária
Por Michel Sitnik

A Controladoria-Geral da USP completou dez anos no dia 2 de setembro. Para marcar a data, a Universidade realizou um encontro que reuniu pessoas envolvidas na criação e consolidação do órgão, além de discutir perspectivas e desafios futuros do controle interno.
“Dez anos é bastante tempo, o que mostra que a comunidade reconhece a Controladoria como um órgão importante. A USP tem realidades muito particulares, e por isso existe espaço para uma estrutura própria, que complementa, mas não se sobrepõe aos diversos órgãos de controle público. Enfrentamos, até há pouco tempo, momentos de dificuldades financeiras que exigiram anos de sacrifícios para correção, e ninguém quer que isso se repita, de modo que o trabalho do órgão se tornou essencial”, avaliou o reitor Carlos Gilberto Carlotti Junior, ao abrir o encontro. “A autonomia das universidades públicas paulistas é uma conquista e oferece vantagem para planejamentos de longo prazo, mas também traz a responsabilidade de conduzir a gestão com estabilidade”, acrescentou.
Para o controlador-geral, Edgard Cornacchione, “quanto mais nos aproximamos do controle, mais percebemos a ausência de controle, evidenciando cenários que podem passar despercebidos, mas que, quando melhor planejados, fazem toda a diferença. Trata-se de um trabalho permanente e coletivo, e a história do órgão mostra como, ao longo de dez anos de controle institucionalizado, muitos talentos foram envolvidos e deram suas contribuições em um espaço que privilegia a técnica e a discussão”, destacou, lembrando ainda o impacto desse trabalho nos resultados finais de desempenho institucional.
O encontro começou com a mesa-redonda “Grupo de Trabalho Constituinte”, reunindo membros responsáveis pela proposta de criação da Controladoria. Mediado por Fábio Frezatti, o debate contou com a participação de Reinaldo Guerreiro e Ana Carla Bliacheriene. Ao final, os três receberam placas comemorativas em reconhecimento à contribuição na constituição do órgão.
Em seguida, a mesa “Fundamentos do Controle Interno” reuniu controladores gerais e adjuntos da USP, que compartilharam experiências sobre a estrutura e os desafios do órgão. Moderada por Edgard Cornacchione, a discussão teve a participação de Fernando Dias Menezes de Almeida, Adalberto Américo Fischmann, Marcelo José Magalhães Bonizzi e Thiago Marrara de Matos, com a entrega de placas comemorativas a todos os participantes, além do atual controlador adjunto Gabriel Lochagin, em homenagem à atuação de cada um na consolidação da Controladoria.
A terceira mesa, “Rumos do Controle Interno”, reuniu representantes da Comissão de Legislação e Recursos (CLR), da Comissão de Orçamento e Patrimônio (COP) e do Grupo de Trabalho de Riscos Institucionais da USP. Mediado por Gabriel Lochagin, o debate contou com Pedro Dallari, Maria Dolores Montoya Diaz e Jaime Crozatti, e abordou perspectivas e desafios futuros, reforçando a importância do controle interno para a governança da Universidade.

Transparência e planejamento
As controladorias são órgãos responsáveis por zelar pela correta aplicação dos recursos públicos, promovendo a transparência, a responsabilidade fiscal e o controle interno. Sua atuação envolve a prevenção e o combate à corrupção, a realização de auditorias, o monitoramento da gestão orçamentária e financeira, além de fornecer informações estratégicas para a tomada de decisão dos gestores. Com foco na legalidade e na eficiência administrativa, as controladorias buscam assegurar que os órgãos públicos atuem de acordo com os princípios da administração pública e em benefício da sociedade.
Criada em 2015 em um contexto de crise financeira, a Controladoria-Geral da USP foi estabelecida como medida preventiva para evitar que dificuldades similares se repetissem. O objetivo é garantir que as decisões estratégicas e os rumos da Universidade sejam acompanhados de forma transparente e discutidos com a sociedade.
Como instituição pública estadual, cujas receitas provêm majoritariamente do ICMS do Estado de São Paulo, e com autonomia administrativa e financeira, a USP ganhou, com a institucionalização do órgão, uma ferramenta mais robusta de prestação de contas. Ele atua como parte do Conselho Universitário, instância máxima colegiada da Universidade, apresentando relatórios anuais e mantendo independência funcional em relação à gestão reitoral.




