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Documentário sobre violência obstétrica na prisão será exibido na Faculdade de Saúde Pública da USP – Jornal da USP


No dia 9 de setembro, às 17 horas, será exibido o filme “Sentença Materna”, que denuncia abusos que mulheres sofrem no sistema prisional durante a gravidez

No centro da imagem, está Karina, de lado e pouco iluminada, em preto e branco. Ela usa uma camisa estampada de mangas compridas, tem cabelos ondulados e longos e está com uma expressão séria. Atrás, há um fundo vermelho, onde está escrito, em branco e em caixa alta, "SENTENÇA MATERNA", o título do documentário.
Divulgação do documentário Sentença Materna – Imagem: Divulgação/Sentença Materna

No dia 9 de setembro, às 17 horas, o projeto Cosmopolíticas do cuidado no fim-do-mundo exibirá o documentário Sentença Materna no Auditório Paula Souza da Faculdade de Saúde Pública (FSP) da USP. O filme denuncia as violências que mulheres grávidas sofrem nas prisões, com relatos de mulheres que passaram pela gravidez no sistema prisional e especialistas no assunto. Após o filme, haverá uma conversa com as participantes e a equipe produtora.

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O filme retrata a história de Karina Dias, presa em 2010 por tráfico de drogas, quando estava grávida de sete meses. Ela relata ter sofrido violências, como quando ficou algemada durante o parto por mais de quatro horas. “Eu sofri os piores abusos que uma mulher gestante poderia ter sofrido”, diz ela no trailer, disponível no YouTube. A partir dessa história, especialistas contam o que viram em seus trabalhos e estudos sobre violência obstétrica nas prisões.

O Grupo Okán, coletivo de audiovisual periférico da cidade de São Paulo, é responsável pela produção do longa-metragem, lançado neste ano sob a direção de Breno Andreata e Letícia Gouveia. Já o Cosmopolíticas do cuidado é um projeto que reúne pesquisadores e ativistas de diversas instituições no Brasil para estudar as múltiplas formas de conhecimento sobre o cuidado em saúde em contextos de vulnerabilidade social. José Miguel Nieto Olivar, professor na FSP, é coordenador do grupo.

Uma das especialistas em maternidade no sistema prisional entrevistada para o documentário foi Milena Novais, formada em Obstetrícia, mestra e doutoranda em Saúde Pública pela USP. Ela é uma das pesquisadoras do Cosmopolíticas do cuidado, no eixo temático Mulheres vivendo, tecendo, cortando as malhas do encarceramento. É Milena quem está levando o cinedebate para a FSP e irá mediar o evento.

Na selfie, Milena está sorrindo. Ela é uma mulher negra,, de olhos castanho-escuros e de cabelos cacheados e marrons que vão até os ombros. Ela está de camiseta branca.
Milena Novais – Foto: Arquivo pessoal

“Eu acredito que, num espectro geral, pensar em saúde para pessoas em situação de criminalização não é muito visto dentro da área da saúde. Sejam elas pessoas em situação de rua, mulheres e outras pessoas em situação de privação de liberdade, mulheres prostitutas também, que são criminalizadas, e que é um dos eixos que a gente aborda no nosso projeto Cosmopolíticas”, fala a especialista ao Jornal da USP.

Além de Karina e Milena, outras participantes do documentário que estarão na conversa serão Dina Alves, advogada e doutora em Ciências Sociais, Amanda Rodrigues, cientista social e estudante na FSP, e Michele Ferreira, pesquisadora do Instituto Terra, Trabalho e Cidadania. Dos produtores, estarão no debate Breno Andreata e a doula, idealizadora e produtora executiva do filme Bárbara Lessa.

A defensora pública Fernanda Hueso, do Núcleo Especializado de Promoção e Defesa dos Direitos das Mulheres (Nudem), também foi convidada para falar sobre a política Mães em Cárcere, que visa a garantir os direitos das mães e grávidas encarceradas.



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