quarta-feira, março 18, 2026
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Qual o impacto das tarifas sobre a fruticultura nacional? Pesquisadores da USP analisam em revista – Jornal da USP


Edição de agosto da revista “Hortifruti Brasil” detalha os riscos do novo tarifaço americano para as exportações de manga, uva e suco de laranja, e propõe ações para mitigar perdas. Publicação tem download gratuito

Duas fotos lado a lado de três mangas avermelhadas numa árvore e ao lado dois cachos de uva roxa em uma árvore
Manga e uva estão entre as frutas mais afetadas pelo tarifaço dos EUA – Foto: Freepik 1 e bearfotos 2

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As frutas frescas nacionais estão sofrendo com o tarifaço de 50% dos Estados Unidos.
Desde 6 de agosto, tem sido aplicada a tarifa e, embora a Europa siga como principal destino, o mercado norte-americano é decisivo em janelas específicas da safra de manga e uva, ajudando a evitar excedentes e a sustentar preços internos. O suco de laranja (mas não seus subprodutos) foi poupado da sobretaxa de 40%, mantendo tarifa de 10% mais US$ 415/t. A isenção gerou reação imediata da indústria, que restabeleceu os preços aos patamares anteriores ao anúncio de julho. Setores como o gengibre, sobretudo no Espírito Santo, que concentra 75% da produção nacional, também enfrentam pressão e urgência na diversificação de mercados. Entre os grandes exportadores de manga e uva, a previsão é manter parte dos embarques em 2025 para honrar contratos, o que deve conter riscos imediatos de sobreoferta, embora o pico de safra demande atenção. Esse é um dos momentos mais críticos enfrentados na história do setor, e tema da matéria de capa da nova edição da revista Hortifruti Brasil, que já está disponível para download gratuito neste link.

Exportações sob ataque dos EUA, escrito por Margarete Boteon, Lucas de Mora Bezerra, Isabella Ferraz e Guilherme Abdalla, apresenta um estudo exclusivo sobre o impacto da medida nas exportações de suco de laranja, manga e uva, destacando estratégias para mitigar perdas e preservar a competitividade do setor. A análise propõe ações emergenciais, diversificação de mercados e negociações internacionais para proteger a rentabilidade e a capacidade de investimento da fruticultura brasileira. “Fazer os ajustes de produção e de abertura de novos mercados exige articulação firme entre setor privado, governo e importadores, com linhas de crédito, prorrogação de custeios e expansão de destinos, garantindo a preservação da competitividade e da capacidade de investimento da fruticultura brasileira”, destacam os autores.

Números das exportações de manga em relação às compras norte-americanas – Foto: HF Brasil

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Números das exportações de uva em relação às compras norte-americanas – Foto: HF Brasil

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Segundo a publicação, o “tarifaço” já compromete o planejamento logístico e comercial da safra brasileira de frutas 2025/26. “Lideranças do setor convergem na avaliação de que é urgente garantir fôlego financeiro e operacional para que produtores e exportadores consigam redirecionar excedentes, absorver perdas de margem e manter presença em mercados estratégicos — evitando que concorrentes ocupem o espaço brasileiro. Ao mesmo tempo, prevalece a aposta na resiliência da cadeia produtiva: honrar contratos de curto prazo já firmados com importadores norte-americanos e, no médio prazo, estruturar estratégias mais assertivas para diversificar destinos e assegurar a sustentabilidade do setor”, comentam os autores.

Análise de riscos

A Hortifruti Brasil ouviu representantes de peso desses três segmentos – manga, uva e suco de laranja –, apresentando uma análise dos riscos e desafios deste momento decisivo. Para Roberto Barcelos, da Agrícola Famosa (empresa de capital nacional situada na divisa dos estados do Rio Grande do Norte e Ceará), a alternativa mais concreta para enfrentar o tarifaço é mobilizar importadores para, dentro da legalidade, atuarem junto ao governo dos EUA. “É preciso incluir, nas listas de exclusão tarifária, produtos que não são cultivados no país e mostrar que a medida também traz riscos para os consumidores norte-americanos.” Outros setores também estão sob pressão, como o açaí e o gengibre. No caso deste último, o pesquisador Warley Marcos Nascimento, da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), analisa a cadeia produtiva no Espírito Santo, principal estado exportador.

Capa e páginas da edição especial da revista – Foto: HF Brasil

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Além da matéria de capa, a revista traz o Radar HF, escrito por Guilherme Abdalla, com novidades do setor hortifrutícola que conta como o cenário do suco de laranja anima citricultores em Mogi Mirim. A iniciativa Rota da Batata e Tomate, fruto da parceria entre a Gowan Brasil e a Hortifrúti Brasil, seguiu na estrada ao longo de julho, promovendo encontros técnicos com produtores e agentes de mercado em importantes polos hortícolas do País, e fala também dos principais fatores responsáveis pelos preços baixos da cebola na temporada. Entre eles, estão: o alto volume de produto importado da Argentina e Chile, a superoferta do Sul do País – principalmente em Santa Catarina – e também a concentração de calendário das regiões em colheita no Cerrado, Nordeste e São Paulo.

Muito mais que uma publicação, a revista Hortifruti Brasil é o resultado de pesquisas de mercado desenvolvidas pela Equipe Hortifrúti do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), na Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq) da USP, em Piracicaba (SP). As informações são coletadas por meio do contato direto com aqueles que movimentam a hortifruticultura nacional: produtores, atacadistas, exportadores etc. Esses dados passam pelo criterioso exame dos pesquisadores, que elaboram as diversas análises da Hortifruti Brasil. A partir de abril de 2025, a revista passou a ser totalmente digital, com formatos inovadores, permitindo à equipe adaptá-la para os canais digitais. A versão impressa será distribuída em eventos e ocasiões especiais. 

Para baixar a revista on-line clique aqui. Mais informações no site hfbrasil.org.br ou pelo e-mail: hfbrasil@cepea.org.br 

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