sábado, maio 16, 2026
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Cerca de 2 milhões de cirurgias plásticas por ano colocam o Brasil na liderança do ranking mundial – Jornal da USP


Segundo André Paggiaro, a questão geográfica contribui muito para o fato de o Brasil ter se tornado uma potência na área de cirurgias plásticas

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Imagem de um centro cirúrgico, onde se vê a imagem desfocada de um médico enquadrado dos ombros para cima e com a mão num aparelho, este em destaque na foto. Ao lado do médico aparece, também desfocada, parte da cabeça de um outro profissional da saúde
A popularidade dessas cirurgias não é aleatória, ela reflete um alinhamento com os padrões estéticos valorizados na cultura brasileira – Foto: André Boro / HRAC-USP
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Segundo a Sociedade Internacional de Cirurgia Plástica e Estética, o Brasil é uma potência na área de cirurgias plásticas e procedimentos estéticos ao redor do mundo; com mais de 2 milhões de cirurgias realizadas por ano, o País também ocupa o segundo lugar nesses procedimentos não cirúrgicos, atrás apenas dos Estados Unidos. André Paggiaro, graduado em Medicina pelo Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina (FM) da USP e especialista em cirurgia plástica estética e reconstrutiva, comenta os fatores que explicam esse elevado número de procedimentos no País.

“Um dos principais motivos para o Brasil ter se tornado essa potência na área de cirurgias plásticas é a questão geográfica. Por estarmos localizados nos trópicos, com temperaturas mais elevadas, as pessoas ficam com o corpo mais exposto, gerando uma maior vontade de se cuidar. Outros fatores que influenciam são a alta qualificação dos profissionais e um fator cultural de estar mais influenciado pelo mercado americano, que tem muito da cultura do cuidado com o corpo e sa estética.”

Além disso, o Brasil possui um turismo médico muito pulsante, no qual pacientes de diversos países vêm para realizar procedimentos estéticos, devido à qualidade dos cirurgiões e aos preços mais acessíveis. “O dólar de 5 a 6 para 1, o euro de 6, 7 para 1, então os estrangeiros acabam pagando muito mais barato por causa da desvalorização da nossa moeda, ficando cada vez mais acessível no Brasil do que no próprio país deles.”

Principais cirurgias

André Paggiaro – Foto: Arquivo pessoal

Ainda segundo os dados da Sociedade Internacional de Cirurgia Plástica e Estética, o Brasil lidera o ranking mundial de cirurgias plásticas e os procedimentos que mais contribuem para essa estatística são lipoaspiração (remoção de gordura localizada), mamoplastia de aumento (implante de silicone), abdominoplastia (remoção do excesso de pele e gordura da região abdominal), rinoplastia (altera o formato e o tamanho do nariz), blefaroplastia (cirurgia nas pálpebras).

A popularidade dessas cirurgias não é aleatória, ela reflete um alinhamento com os padrões estéticos valorizados na cultura brasileira. A lipoaspiração e a abdominoplastia, por exemplo, atendem ao desejo por um corpo com curvas mais bem definidas e um abdômen plano, enquanto a mamoplastia reforça a busca por um busto que se harmonize com o corpo.

Enquanto essas cirurgias tradicionais continuam fortes, o mercado de procedimentos não invasivos, como botox, ácido hialurônico e bioestimuladores de colágeno, cresceu de forma acelerada nos últimos anos. A principal razão é que oferecem resultados rápidos, com menor tempo de recuperação e sem a necessidade de anestesia geral, o que mostra que as pessoas buscam cada vez mais a prevenção e a manutenção da juventude de forma menos invasiva.

Segurança e ética

A grande demanda por operações estéticas leva os profissionais da área a se depararem com diversos dilemas éticos sobre o quanto as pessoas podem mudar seus corpos, especialmente em relação a padrões de beleza e expectativas dos pacientes. “A cirurgia plástica é muito complicada, porque ficamos no dilema de atender a uma expectativa que nem sempre é possível atender. Existem pessoas com uma estrutura genética e corporal que às vezes não permite que atinja um resultado esperado, sonhado por ela. Então o papel do médico é tentar sentir quais são os desejos da paciente, as expectativas dessa paciente e, antes de operar, deixar bem claro o que é possível e o que não é possível.” explica o especialista.

Paggiaro finaliza dizendo que é papel dos médicos dosar a quantidade e a magnitude de procedimentos feitos por cada indivíduo. “Quanto mais você vai associando procedimentos, então você faz uma lipo muito grande, uma abdominoplastia, você faz tudo na mesma cirurgia, com certeza vai acabar tendo resultados melhores. Por outro lado, associam-se muitos mais riscos, porque é muito tempo em sala cirúrgica, mais tempo sob anestesia, tudo isso aumenta o risco. Então o especialista tem que saber lidar exatamente com a expectativa do paciente.”

*Sob supervisão de Paulo Capuzzo


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