Os desafios da energia solar nortearam discussões do principal evento do setor na América Latina


O The smarter E South America, principal encontro do setor de energia da América Latina, que aconteceu em agosto, em São Paulo, serviu como um espelho da indústria, refletindo o estado atual da tecnologia, os principais desafios e as direções que estão sendo tomadas. É sobre esse evento que o episódio de hoje da Série Energia vai abordar. Segundo o professor Fernando de Lima Caneppele, da Faculdade de Zootecnia e Engenharia de Alimentos (FZEA) de Pirassununga (SP) da USP, a partir do que foi exposto é possível traçar um panorama de um setor em plena transformação, onde a inovação em fontes como a solar precisa se articular com debates sobre infraestrutura, geopolítica e sustentabilidade.

O professor explica que a organização do The smarter E South America foi dividida em quatro eventos paralelos, cada um focado em um pilar da nova economia da energia. A Intersolar South America é a mais proeminente, funcionando como a grande vitrine da indústria solar fotovoltaica. Complementarmente, a ees South America aborda o desafio indissociável do armazenamento de energia e baterias, tecnologia crucial para dar firmeza à geração solar e gerenciar sua intermitência natural. A Power2Drive South America foca na mobilidade elétrica e sua infraestrutura, enquanto a Eletrotec+EM-Power trata da modernização e digitalização das redes elétricas, essenciais para um sistema cada vez mais complexo e descentralizado.
“O avanço da fonte solar depende não apenas de painéis mais eficientes, mas também da inteligência aplicada à sua gestão. A digitalização do setor foi um tema transversal, discutido em profundidade no congresso da Eletrotec+EM-Power, onde apresentei um trabalho, fruto de um projeto do CNPq, que demonstra o uso de inteligência artificial para prever a radiação solar com alta precisão”, afirma Caneppele.
A expansão da energia solar não ocorre em um vácuo. Segundo o professor, os debates no evento refletiram as tensões geopolíticas que afetam diretamente o setor. “A questão das cadeias de suprimentos, por exemplo, expõe a disputa global por minerais críticos e a concentração do processamento de matérias-primas em poucas nações, o que cria vulnerabilidades e pode encarecer os equipamentos fotovoltaicos em escala mundial”, revela.
A Série Energia tem apresentação do professor Fernando de Lima Caneppele que coproduziu com o jornalista Ferraz Junior, da Rádio USP de Ribeirão Preto. Você pode sintonizar a emissora em FM 107,9, pela internet em www.jornal.usp.br ou pelo aplicativo no celular para Android e iOS.



