quarta-feira, março 18, 2026
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Política pública de saúde mental digital para acabar com a dependência virtual – Jornal da USP


Aplicativos de romance virtual criam vínculos intensos, mas podem gerar dependência emocional e afastar usuários de relações humanas reais, alerta Luli Radfahrer

 

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É possível se apaixonar por chatbot? Segundo Luli Radfahrer, sim,  não só é possível como já está acontecendo. No caso, são aplicativos de relacionamento virtual com características específicas, mais populares nos Estados Unidos, mas começando a se popularizar por aqui também. Eles permitem criar uma parceira  virtual com aparência e com personalidade customizada. O usuário pode construir memórias e histórias compartilhadas. Possuem recursos como chamadas de voz e imagens personalizadas.  “O perfil dos usuários revela padrões bem preocupantes”, diz Radfahrer, ” 70% são homens entre 18 e 35 anos. Muitos deles relatam dificuldades com relacionamentos reais, e o crescimento entre as pessoas que acabam de ter um divórcio ou uma perda significativa. Ou seja, é basicamente uma máquina  de criar incel”.

Claro está que esse tipo de IA acaba criando expectativas completamente irreais sobre o relacionamento. “Zero risco de rejeição, disponibilidade 24/7, uma parceira que nunca julga nem discorda e promete o relacionamento perfeito, sem esforço […] quando a inteligência artificial vira norma, os conflitos e as imperfeições humanas se tornam defeitos inaceitáveis. O sujeito perde a capacidade de lidar com a complexidade emocional natural do ser humano. E, aí, ou ele fica isolado ou ele começa a se tornar reativo às outras pessoas”.

O mais grave é que esse tipo de comportamento parece estar longe de ser somente uma moda.” Eu adoraria que fosse uma moda de mau gosto, mas os dados são alarmantes sobre dependência. Os usuários passam de 4 a 8 horas diárias conversando com o IA. Os algoritmos são projetados especificamente para criar dependência emocional. É uma coisa muito do mal, é um vício muito mais intenso do que redes sociais. Tem casos de usuários abandonando a vida social completamente”. A saída, de acordo com o colunista, está na educação digital massiva desde a infância. “Educação digital massiva desde a infância, regulamentação rigorosa sobre transparência algorítmica e, no fundo, lembrar que isso é uma máquina, normalmente tocada por uma empresa que visa a lucro, não é um ser humano com sentimento. A gente precisa, o quanto antes, desenvolver política pública de saúde mental digital”.


Datacracia
A coluna Datacracia, com o professor Luli Radfahrer, vai ao ar quinzenalmente, sexta-feira às 8h, na Rádio USP (São Paulo 93,7 ; Ribeirão Preto 107,9 ) e também no Youtube, com produção da Rádio USP Jornal da USP e TV USP.

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