sábado, maio 16, 2026
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Trump está conseguindo organizar a maior rede de comunicação a serviço de um governo – Jornal da USP


Carlos Eduardo Lins da Silva diz que a Casa Branca se tornou hoje um “grande produtor de notícias” – ao lado de outros dispositivos, isso faz com que o presidente tenha um poder de mídia sem precedentes

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A Casa Branca começou a publicar conteúdo institucional como se fosse material jornalístico. Nesta edição de sua coluna, o professor Carlos Eduardo Lins da Silva explica por que é algo preocupante a Casa Branca atuar como seu próprio veículo de mídia. “O presidente Trump está conseguindo organizar a maior rede de comunicação a serviço de um governo de que eu tenha lembrança em qualquer lugar no mundo. Só talvez o Berlusconi tenha conseguido alguma coisa parecida na Itália. A Casa Branca se tornou hoje um grande ‘produtor de notícias’. E o Google tem dado bastante destaque a essas pretensas notícias da Casa Branca. A Casa Branca tem seu próprio site. A Casa Branca veicula diversas informações, não na forma de press release, mas na forma de notícias mesmo […] isso, ao lado de outros dispositivos que a Casa Branca de Trump tem à sua disposição, faz com que o presidente tenha um poder de mídia sem precedentes.”

O colunista lembra que Trump já conta com o apoio de diversos veículos, como Fox News, “já há muito tempo é uma espécie de porta-voz oficial, porta-voz informal da Casa Branca”, The Washington Post , CBS e Los Angeles Times, além das redes sociais do próprio Trump e dos podcasters, “que são antigos aliados do presidente e que têm enormes audiências nos Estados Unidos”. Podcasters que, inclusive, ganharam acesso privilegiado nas conferências de imprensa da Casa Branca, que escolhe a dedo quem são os jornalistas que participam das conferências de imprensa e proíbe a entrada de diversos jornalistas e veículos que são críticos ou que não são aduladores do presidente. “Só para você ter um exemplo de que tipo de gente é essa, Benny Johnson é um podcaster de extrema-direita que sempre é chamado e é sempre um dos primeiros a fazer perguntas. Outro dia a palavra foi dada a ele para fazer uma pergunta –  em vez de fazer uma pergunta, ele disse que queria dar um depoimento, queria dizer que tinha gravado com a câmera de vídeo dele diversos assassinatos na vizinhança da casa dele em Washington e que a casa dele tinha sido incendiada por bandidos há algum tempo.”

Ocorre, porém, que o The New York Times, que o colunista observa ser talvez o único jornal independente que sobrou de relevo nos Estados Unidos, pesquisou dados policiais da cidade de Washington apenas para chegar à conclusão de que “na vizinhança desse pretenso jornalista não há nenhum crime registrado desde 2017 e nenhum incêndio, a não ser de uma casa próxima dele, que pegou fogo há algum tempo. Esse tipo de pessoa é o tipo de pessoa que faz a comunicação da Casa Branca com o público americano. É uma situação lamentável”, avalia Lins da Silva.


Horizontes do Jornalismo
A coluna Horizontes do Jornalismo, com o professor Carlos Eduardo Lins da Silva, vai ao ar quinzenalmente, segunda-feira às 8h30, na Rádio USP (São Paulo 93,7; Ribeirão Preto 107,9) e também no Youtube, com produção  da Rádio USP,  Jornal da USP e TV USP.

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