Nesta edição de sua coluna, o professor Martin Grossmann convida o ouvinte/leitor a desopilar, a afastar-se das preocupações e dos problemas, priorizando experiências de apelo emocional como o deleite estético, a alegria, a diversão, entre outros. A coluna, diz ele, pretende atuar assim como um sonho que vivenciamos despertos, usufruindo da luz do dia. “Essa volição (essa vontade, intuito) em compartilhar com vocês deste devaneio, se pauta na ideia de que todos nós temos direito à cultura de modo pleno. Não só de acesso quantitativo aos produtos e equipamentos e processos culturais como também aquele da experiência individual e da convivialidade. Ou seja, não só orientados pela racionalidade funcional (como a modernidade ainda nos impõe), seguindo interesses individualizados, corporativos, hegemônicos, mas, sobretudo, o de viver juntos, numa sociedade compartilhada baseada na solidariedade, na justiça social, na equidade, no comum.”
“De forma plena, enfatizo, no sentido mesmo de podermos também compartilhar impressões, emoções e experiências qualitativas, aquelas que nos tocam de modo extraordinário, singular, seja de forma mais casual ou até mais profundamente e que muitas vezes operam no âmbito do inefável, na transcendência dos sentidos e até das emoções, na poética da vida, pelo frescor e diversidade de sensações e sentimentos que geram. Muitas vezes somos impelidos à interpretação e na busca do sentido, mas isso não deve necessariamente prevalecer. Titubear, duvidar, questionar, fruir, maravilhar-se, tudo vale nessa esfera do sonho diurno, nesse âmbito do devaneio, do sonhar acordado e coletivamente.”
Ele prossegue no mesmo tom: “Desde o mais singelo gesto de um livro que literalmente sorri para você ao estar em uma livraria ou biblioteca, como é o caso do livro Lições Sobre a Vida Feliz, do filósofo romano Sêneca, lançado em 2024 pela Editora Aleph, que nos brinda com um projeto gráfico simples, bonito e eficaz, nos convidando alegremente à leitura, como também de obras de arte dispostas em galerias e outros espaços, que, com certo mistério, passam a participar de nossas vidas como entidades e não mais como coisas. Falo daqui das experiências que tive e continuo a ter principalmente em museus que, pela convivência e pertencimento desenvolvidos ao longo dos anos, motivam essas relações tanto racionais como também afetivas, emotivas, corporais e espirituais até. Essa necessidade em compartilhar desses sonhos diurnos levaram destacados pensadores a elaborar ensaios marcantes, como é o caso do errante Walter Benjamin com Desempacotando Minha Biblioteca, texto de 1931 no qual ele compartilha com o leitor o seu prazer em colecionar, em lidar com os livros, como acontece neste momento de reencontro”.
Na Cultura, o Centro está em Toda Parte
A coluna Na Cultura o Centro está em Toda Parte, com o professor Martin Grossmann, vai ao ar quinzenalmente, terça-feira às 9h, na Rádio USP (São Paulo 93,7; Ribeirão Preto 107,9) e também no Youtube, com produção da Rádio USP, Jornal da USP e TV USP.
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