Múcio Tavares lembra que vacinas, de um modo geral, são responsáveis pelo aumento da sobrevida humana, sendo essencial incluí-las na prevenção integral

Uma revisão sistemática apresentada no Congresso da Sociedade Europeia de Cardiologia mostra que a vacinação contra herpes-zóster reduz o risco de doenças cardiovasculares graves. Adultos de 18 a 50 anos vacinados tiveram queda de 18% no risco, enquanto pessoas com mais de 50 anos apresentaram redução de 16%. Segundo o professor Múcio Tavares, diretor da Unidade Hospitalar-Dia do Incor (Instituto de Coração) e da Unidade Clínica de Emergência da Faculdade de Medicina (FM) da USP, esse efeito se soma aos benefícios já conhecidos de outras vacinas, que ajudam a reduzir a inflamação sistêmica e prevenir infarto e AVC. “Mesmo reduções relativas pequenas têm efeito comparável a intervenções tradicionais, como controle do colesterol, pressão e cessação do tabagismo”, explica Tavares. Ele reforça que vacinas entram como um esforço adicional para diminuir o chamado risco residual de doenças cardiovasculares, contribuindo para reduzir mortes e complicações.
O especialista destaca que a vacina contra herpes-zóster é indicada para todos, com duas doses aplicadas com intervalo de dois meses. Além disso, recomenda-se influenza anual, pneumocócica, DTP a cada dez anos e hepatite B em três doses, conforme idade e risco. Pessoas acima de 60 anos e cardiopatas merecem atenção especial.
Benefício além da doença

Vacinar não protege apenas contra o vírus. “É uma intervenção que reduz complicações cardiovasculares graves, complementando medicações e hábitos saudáveis”, diz Tavares. Ele lembra que vacinas, junto com água potável e imunização básica, são responsáveis pelo aumento da sobrevida humana, sendo essencial incluí-las na prevenção integral.
O estudo reforça que prevenir infecções tem impacto direto na saúde do coração. “Vacinar contra herpes-zóster é mais do que proteção contra uma doença específica: é prevenir complicações graves e melhorar a qualidade de vida”, conclui o especialista.
No Brasil, a vacina contra o herpes-zóster está disponível apenas na rede privada de saúde. No entanto, em abril deste ano, o Ministério da Saúde solicitou avaliação técnico-científica à Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec), que analisa a relação custo-efetividade para subsidiar uma possível incorporação no calendário vacinal do Sistema Único de Saúde. Ainda não há parecer técnico.
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