sábado, maio 16, 2026
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Ataques a jornalistas se intensificam e colocam em risco a cidadania – Jornal da USP


Pedro Dallari fala sobre o crescimento alarmante dos ataques a esses profissionais no mundo todo por conta do “exercício de suas atividades essenciais à viabilização de informações para a sociedade”

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O tema da coluna desta quinzena são os ataques a jornalistas, que têm se intensificado nos últimos anos, a partir dos dados compilados pela organização Repórteres Sem Fronteiras. Segundo Pedro Dallari, há um crescimento alarmante dos ataques a esses profissionais no mundo todo por conta do “exercício de suas atividades essenciais à viabilização de informações para a sociedade”.

“Só neste ano de 2025, 37 jornalistas foram assassinados e há 561 detidos no mundo, sendo 522 jornalistas e 39 trabalhadores de mídia. Reféns são 54, sendo 51 jornalistas e três trabalhadores de apoio aos jornalistas, e desaparecidos, provavelmente a maioria deles mortos, são 98 jornalistas e um trabalhador de mídia. É um volume muito expressivo de vítimas que vem sendo atacado justamente em função da atividade jornalística, já que a organização Repórteres Sem Fronteiras não contabiliza nesses números aqueles que foram atingidos por razão diversa do exercício da prática profissional”, explica o professor.

Para ele, as causas para o crescimento dos ataques a jornalistas são variadas: “Em primeiro lugar, as guerras, os conflitos armados. Tem sido muito relevante os casos de vítimas no conflito de Gaza por força dos ataques sistemáticos de Israel, inclusive à população civil de Gaza e, entre as vítimas, têm sido contabilizados jornalistas. Outro tipo de razão é a violência política e a violência promovida pelo crime organizado. É uma violência que ataca jornalistas com o objetivo de impedir a produção e veiculação de informações sobre condutas que violem direitos humanos ou condutas que impliquem prática de atividades criminosas. E se atinge o jornalista justamente para impedir essa disseminação”.

“Um dado muito importante é que, para além das vítimas, dos próprios jornalistas, trabalhadores de mídia, homens, mulheres dessa profissão, o que por si só é muito grave, porque se atinge trabalhadores, há como vítima mais ampla a própria sociedade, a própria cidadania, porque na medida em que se atinge os jornalistas e se atinge o exercício da atividade jornalística, o prejuízo é para a sociedade, que se vê privada do recebimento de informações que são muito relevantes para que ela possa se inteirar dos acontecimentos graves em situações de conflito ou de ataques à democracia ou de situações criminosas e diminuindo a possibilidade de uma interferência da sociedade para se coibir esse tipo de situação de crise, esse tipo de situação grave. É, portanto, um quadro muito grave de ataque a trabalhadores, mas também de comprometimento da cidadania e até mesmo da democracia”, considera Dallari.


Globalização e Cidadania
A coluna Globalização e Cidadania, com o professor Pedro Dallari, vai ao ar quinzenalmente, quarta-feira às 8h, na Rádio USP (São Paulo 93,7; Ribeirão Preto 107,9) e também no Youtube, com produção da Rádio USP,  Jornal da USP e TV USP.

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