Os territórios identificados pelo pesquisador, e que foram objetos de estudo na pesquisa, são um espaço de trocas culturais, fundado por uma travesti negra, um bar onde também frequentam pessoas negras LGBT+ e os terreiros de umbanda e candomblé, que também fizeram parte do percurso. “São territórios afetivos marcados por raça, gênero, sexualidade e reconhecimento da negritude. As pessoas conseguem se reconhecer nelas mesmas e produzem os afetos a que eu denomino em meu estudo como o ‘dengo’”, descreve Alef.
Como explica o pesquisador, a palavra “dengo” tem origem africana, da língua banto, e significa “doçura”, “carinho” e “atenção”. O enfermeiro defende que sua pesquisa pode trazer algumas contribuições teórico-metodológicas para o campo da saúde coletiva e da própria enfermagem, como o alargamento do conceito de “território”, bem como de rede social de apoio, e também como de valorizar as dimensões emocionais e afetivas na produção do vínculo e do cuidado com o outro. Além disso, traz elementos para repensar as políticas de saúde que pensam o cuidado, como da população negra, população LGBT+, povos de terreiro, entre outros.
*Estagiário sob orientação de Moisés Dorado



