Em colaboração internacional, astrônomos de dez universidades espiam o Universo de 13 bilhões de anos atrás e buscam descrever os momentos que sucederam o Big Bang. A identificação de uma nova estrela, apelidada de GDR3_526285, fez com que os pesquisadores percebessem que não entendem tanto quanto imaginavam sobre a formação dos astros primordiais, já que a descoberta coloca em xeque as hipóteses atuais sobre a evolução desses corpos celestes.
A estrela apresenta uma das menores quantidades de “metais” já observadas. Na astronomia, metais são quaisquer substâncias além do hidrogênio e do hélio – do carbono ao plutônio. Essa característica a classifica como descendente direta das primeiras estrelas. É um fóssil cósmico vivo – até onde se sabe. Localizada há cerca de 80 mil anos-luz do nosso sistema solar, a estrela ocupa a periferia da Via Láctea. Isso significa que, entre o momento de sua morte e seu desaparecimento no céu terrestre, 80 mil anos já teriam se passado – um piscar de olhos na história do Universo.
O astro acompanha o halo de nossa galáxia – a região que circunda o sistema e abriga corpos celestes agregados pela gravidade ou incorporados por colisões. A estrela descoberta difere das que brilham por lá: é tão pobre em metais que nem se detecta o carbono – um dos elementos mais comuns do Universo conhecido.
No espaço primordial, as estrelas não tinham muitas escolhas. Um Universo recém-criado não possui muita diversidade de elementos: os astros, então, eram compostos de hidrogênio e hélio. As substâncias ganharam mais cores e formas à medida em que o material já existente era (e é) processado e fusionado.



